0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes — Foto: Fotos de Ana Paula Paiva/Valor e Brenno Carvalho/O Globo “Pintado para guerra”. É assim que colegas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes definiam o estado de espírito do magistrado depois que as mensagens que trocou com Daniel Vorcaro vieram à tona. Em conversas com integrantes do tribunal, Moraes deixa claro que o ministro André Mendonça comprou um “desafeto para a vida” ao determinar que a Polícia Federal identificasse as mensagens com Vorcaro das quais ele foi o destinatário. Segundo colegas, o ministro evidenciou que não há possibilidade de Mendonça ter pedido a produção do relatório policial sem saber que ele seria o interlocutor na conversa com o ex-banqueiro. Ministros relataram que Moraes dizia, até então, que a relação de Vorcaro estava ligada à sua esposa, Viviane, com quem o dono do Banco Master firmou um contrato de R$ 131 milhões. Agora, com as mensagens revelando que Moraes mantinha contato constante com o ex-banqueiro, o ministro se atém a um tema: as supostas ilegalidades cometidas por André Mendonça ao investigá-lo. — Hoje o Alexandre só fala da forma. Não do conteúdo — relatou um integrante da corte que tem proximidade com Moraes. A irritação do ministro com Mendonça era tamanha que os colegas temiam o que poderia acontecer na sessão plenária de quarta-feira (2). Foi o primeiro encontro deles após as mensagens se tornarem públicas. Decidiram ignorar a crise, pelo menos em público. Mendonça foi sugerido a entrar por vídeo para evitar o encontro com Moraes. Negou a proposta. A reação veio no inquérito das fake news, nesta quinta-feira. Moraes enviou ao presidente da corte, Edson Fachin, relatórios de inteligência da PF que apontam supostas irregularidades cometidas por Mendonça na condução das investigações sobre as fraudes ao sistema financeiro e nos inquéritos sobre desvios ilegais de aposentadorias. Na decisão, Moraes afirma haver “fortes indícios” da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade pelo colega.