0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O procurador-geral da República, Paulo Gonet, comunicou na sexta-feira (4) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que abriu uma investigação sobre a produção do relatório da Polícia Federal (PF) que expôs a relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e também conversas do próprio Gonet com Vorcaro. "Informo a Vossa Excelência que, na forma do despacho que encaminho, determinei a instauração de Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial, resultado será, em tempo adequado, noticiado à Corte", afirmou Gonet. No despacho que determinou a investigação, Gonet aponta que a decisão de Mendonça que mandou a PF produzir o material não foi comunicada ao Ministério Público Federal (MPF), que tem entre suas atribuições fiscalizar também a atividade policial. "A decisão proferida nos autos da Petição n. 15.556/DF foi ocultada do Ministério Público, que foi assim impedido de realizar o necessário controle externo da atividade policial, etapa essencial a qualquer investigação", afirma o procurador-geral. "Notifique-se a autoridade policial para esclarecer as circunstâncias em torno da confecção da IPJ-A n. 3298613/2026, notadamente quanto à possível ocorrência de ordem ou interferência externa em sua elaboração, que tenha maculado seu conteúdo", segue o despacho que deu início ao procedimento de investigação. Gonet comunicou Fachin no âmbito do procedimento aberto pelo presidente do Supremo para analisar a situação de Moraes e de Mendonça. O primeiro foi exposto em conversas reveladas no relatório da PF sobre o conteúdo do celular de Vorcaro, e Mendonça encaminhou o material para a Presidência do Supremo avaliar quais providências a serem adotadas. Após virem à tona as conversas, Moraes utilizou o inquérito das fake news para encaminhar a Fachin um conjunto de relatórios de inteligência da PF que apontam que Mendonça estaria conduzindo de forma inadequadas as investigações das operações Sem Desconto e Compliance Zero. Fachin decidiu, então, analisar as duas situações em um procedimento único. Os ministros do Supremo só podem ser investigados por decisão do plenário da corte e a expectativa é de que Fachin leve os dois casos ao plenário depois de ouvir todas as partes envolvidas. Em paralelo a isso, o conselho superior do Ministério Público Federal instaurou um procedimento a pedido de deputados do partido Novo para averiguar a conduta de Gonet devido às mensagens em que ele aparece conversando com Vorcaro. No relatório da PF, o procurador-geral aparece em diálogos com um interlocutor de Vorcaro, que fazia a ponte entre os dois. Em um dos diálogos Gonet chega a pedir para o então banqueiro custear a ida de seu filho para um evento que estava sendo promovido pelo Banco Master, em Londres. Em outro diálogo, Gonet confirmou a Vorcaro que iria participar de um encontro restrito promovido pelo banqueiro com degustação de uísque e charutos. — Foto: Antonio Augusto/STF