PGR destacou ministro não deveria 'admitir e nem determinar' que um colega da Corte fosse 'escrutinado' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O procurador-geral da República, Paulo Gonet, durante sessão do STF — Foto: Gustavo Moreno/STF/06-11-2025 O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deu uma série de recados no parecer em que defendeu a anulação do relatório que aponta o ministro Alexandre de Moraes como destinatário de mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O chefe do Ministério Público Federal ressaltou, por exemplo, que não cabe a um juiz acusar e "menos ainda" realizar "investigações pré-processuais". Veja o que diz Gonet Segundo Gonet, um magistrado não pode se valer da polícia como longa manus – do latim, mão estendida – para atividades que não lhe foram conferidas. O PGR ainda destacou que decisões anteriores do Supremo "não deixam dúvida" de que, quando um juiz assume funções que não são suas acaba gerando nulidades, que contaminam as provas.O PGR destacou Mendonça não deveria "admitir e nem determinar" que um colega da Corte fosse "escrutinado". Anotou ainda que o ministro "nem sequer detém competência para dirigir as ações policiais contra alvos que resolva mirar". "Quem investiga, na fase pré-processual é polícia judiciária, cabendo ao Ministério Público, como órgão de acusação, com a titularidade única para propor a ação penal, igualmente buscar elementos de convicção", frisou. Conteúdo das mensagens No parecer, Gonet não se manifestou sobre o conteúdo das mensagens. Apenas argumentou que a ordem expedida por Mendonça no início da semana passada, para que a Polícia Federal identificasse os interlocutores de Mendonça, ainda que fosse autoridades com foro de prerrogativa de função é nula. O PGR lembrou que cabe ao plenário do Supremo autorizar a investigação de integrantes da Corte.Gonet poupou a Polícia Federal das críticas e destacou que Mendonça sabia das menções ao ministro Alexandre de Moraes nas mensagens de Vorcaro antes de determinar que a PF identificasse os interlocutores das mensagens do ex-banqueiro. "Não poderia deixar de o saber. O ato que determinou a investigação pela Polícia Federal data de 24 de agosto de 2026. Há muito que o relator estava com todas as peças que quis fossem detalhadas por escrito", frisou. Quer acompanhar de perto o noticiário das eleições? Participe da comunidade do GLOBO no WhatsApp Ainda na visão do PGR, é "certo" que Mendonça quis que a Polícia Federal detalhasse as menções que haviam nas investigações a Moraes. De acordo com Gonet, é "inegável" que se buscou, nas mensagens, indicativos de envolvimento de Moraes em "ilícitos". O procurador destacou que Mendonça impôs investigação a Moraes, o que não é permitido pela Lei Orgânica da Magistratura. O procurador-geral da República disse que não cabia a Mendonça determinar que as referências a Moraes fossem investigadas. De acordo com Gonet, se o ministro acreditava que havia elementos que mereciam ser investigados, deveria se dirigir ao presidente do Tribunal, Edson Fachin, para que o Plenário pudesse dar o parecer contra ou a favor da investigação.