Encontro ocorreu na tarde de segunda-feira, no gabinete de Mendonça, antes de ministro enviar à PGR relatório da PF com referências a autoridades 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministro Alexandre de Moraes e André Mendonça durante sessão plenária no STF — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tiveram uma reunião tensa na tarde de segunda-feira, no gabinete de Mendonça, horas antes de o relator das investigações sobre o Banco Master encaminhar à Procuradoria-Geral da República (PGR) um relatório da Polícia Federal com mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro e referências a autoridades. Segundo interlocutores, os dois ministros tiveram uma conversa dura sobre os desdobramentos das investigações. O encontro ocorreu antes de Mendonça decidir abrir prazo de cinco dias para que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestasse sobre o material produzido pela PF. O relatório reúne informações extraídas do celular de Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero e detalha a suspeita da PF de que o banqueiro mantinha uma rede de monitoramento e influência destinada a obter informações antecipadas sobre investigações e procedimentos que poderiam atingir seus negócios. Quer acompanhar de perto o noticiário das eleições? Participe da comunidade do GLOBO no WhatsApp Entre as mensagens analisadas pelos investigadores está uma na qual Vorcaro afirma precisar da “proteção” de “Andrei e Paulo”. A PF identificou as referências como sendo ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Nesta terça-feira, Mendonça retirou o sigilo do processo e afirmou que, independentemente da posição a ser apresentada pela PGR, os novos elementos levados pela PF serão submetidos ao plenário do Supremo. “O caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal”, escreveu o ministro. Mendonça afirmou que caberá ao colegiado analisar “de modo técnico e estritamente jurídico” as informações apresentadas pelos investigadores. O relator também determinou que a discussão ocorra em sessão presencial, pública e transparente. A data ainda será definida pelo presidente do STF, Edson Fachin. Mendonça justificou ainda a retirada do sigilo pelo interesse público envolvido no caso. Segundo ele, a Constituição impede a manutenção do segredo quando isso puder prejudicar o “interesse público à informação”.