Eles sentaram em seus respectivos lugares no plenário, lado a lado, mas não se cumprimentaram e antes do início da sessão, ficaram de cabeça baixa mexendo nos seus celulares 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes em sessão no STF um dia após divulgação de mensagens entre Vorcaro e Moraes — Foto: Antonio Augusto/STF Um dia depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça tornar públicas as mensagens enviadas pelo ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro ao colega na Corte Alexandre de Moraes, os dois ministros se encontraram no plenário para a sessão ordinária de julgamentos desta quarta-feira (2), que começa com a análise de um caso que envolve a incidência do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) Leia mais Moraes chegou pela entrada principal, em seguida do decano da Corte, Gilmar Mendes. Ele estava acompanhado de dois agentes de segurança e evitou falar com a imprensa. Já Mendonça chegou cerca de 15 minutos depois, pela entrada da garagem, acompanhado de seus assessores. O magistrado também não falou com jornalistas. Ambos se sentaram em seus respectivos lugares no plenário, lado a lado, mas não se cumprimentaram. Antes do início da sessão, permaneceram de cabeça baixa mexendo em seus aparelhos celulares. A sessão plenária teve início por volta das 14h30, com a presença apenas do presidente, Edson Fachin, Cristiano Zanin, Gilmar, Mendonça e Moraes. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também estava presente. O decano deixou a sessão alguns minutos após o início. Pouco depois, chegaram os ministros Flávio Dino, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli . A ministra Cármen Lúcia acompanhava a sessão por videoconferência. Ao chegar ao plenário, Dino levantou o polegar em sinalização a Moraes para cumprimentá-lo. O colega devolveu o cumprimento, enquanto Mendonça, ao seu lado, permaneceu de cabeça baixa. Dino se senta ao lado dos dois. A primeira parte da sessão transcorreu sem qualquer menção ao caso de ontem. Durante as sustentações orais, Moraes mexia no celular enquanto fazia anotações. Na terça-feira (2), Mendonça, relator do caso Master no STF, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que mostram mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a Moraes. As conversas revelam que Vorcaro buscava obter detalhes sobre investigações junto de Moraes e interferir nas apurações que levaram à sua primeira prisão, em novembro de 2025. O clima de tensão na sessão plenária também ocorre na esteira de uma reunião “muito tensa” sobre as mensagens identificadas pela PF. Segundo interlocutores, Mendonça e Moraes se encontraram antes de Mendonça retirar o sigilo do relatório e houve um bate-boca. Moraes teria questionado se o colega permitiu que ele fosse investigado pela PF. Também teria acusado Mendonça de direcionar apurações. Já Mendonça teria questionado Moraes sobre como ele soube do aprofundamento da investigação. Diante do ineditismo do caso, ainda não há um encaminhamento definido. Ao tornar o conteúdo das mensagens público na tarde de ontem e pedir a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), Mendonça indicou que o "caminho inevitável" era levar o caso para análise do plenário do STF e defendeu que a avaliação deveria ocorrer "de forma pública e transparente", em sessão presencial do colegiado, em data a ser definida pelo presidente da Corte. Na noite de ontem, a PGR se manifestou pela nulidade do relatório produzido pela PF. No parecer assinado pelo chefe da instituição, Paulo Gonet argumentou que Mendonça atuou ativamente para investigar Moraes e que ordens para investigar pessoas específicas são nulas, se não houver pedido expresso do Ministério Público. O procurador-geral da República também aparece no relatório da PF. Ele teria enviado mensagens a Vorcaro por meio de um intermediário, o advogado Ciro Soares, que encaminhava os recados ao ex-banqueiro. Também há uma mensagem escrita pelo dono do Master a Moraes pedindo a proteção de “Andrei e Paulo”, em referência a Gonet e o diretor-geral da PF. Como mostrou o Valor, Mendonça deve liberar o caso para análise do plenário na próxima semana. O que não significa que ela ocorrerá de imediato, uma vez que cabe a Fachin pautar o caso. Alguns ministros, no entanto, não sabem o que esperar de uma eventual análise do relatório, uma vez que não está claro o que deve ser julgado pelo plenário, já que não há pedido de abertura de um inquérito pela PGR, a quem cabe fazer esse tipo de solicitação. Pela manhã, Fachin divulgou uma nota manifestando ciência sobre os fatos e afirmando que anunciará, após a análise “no tempo devido e sem precipitação”, as medidas “cabíveis e necessárias”.
Mendonça e Moraes se encontram em julgamento do STF após relatório com mensagens de Vorcaro
Eles sentaram em seus respectivos lugares no plenário, lado a lado, mas não se cumprimentaram e antes do início da sessão, ficaram de cabeça baixa mexendo nos seus celulares













