Moraes e Mendonça se sentaram em seus respectivos lugares no plenário, lado a lado, mas não se cumprimentaram 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A primeira sessão de julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF) desde que o ministro André Mendonça tornou públicas as mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes não teve manifestações sobre o caso. Em outras ocasiões em que a Corte se viu em uma crise institucional, os ministros usaram a sessão de julgamentos para se pronunciar e fazer intervenções durante a análise dos casos pautados. Desta vez, no entanto, a manifestação ficou por conta do presidente do Supremo, Edson Fachin, que escolheu fazer uma declaração no primeiro evento da sua agenda, às 9h, durante a abertura do segundo dia da 17ª Jornada Ítalo-Hispano-Brasileira de Direito Público, promovida pela rede de pesquisa RedBrItEs, na Corte. Fachin pediu licença aos magistrados estrangeiros para se manifestar e disse que o faria em razão do ofício. Ele defendeu a preservação da integridade, autoridade e a confiança da sociedade no Supremo e disse que tomará as medidas cabíveis após o fim da análise, que sinalizou que ocorrerá sem pressa e de maneira técnica. Apesar da falta de manifestações, os ministros interagiram entre si. Ao chegar ao plenário, um pouco depois de a sessão já ter iniciado, o ministro Flávio Dino levantou o polegar para cumprimentar Moraes à distância. Ele se senta ao lado de Moraes e Mendonça. Enquanto o primeiro devolveu o cumprimento, o segundo manteve a cabeça baixa. Dino chegou acompanhado de Kassio Nunes Marques que, ao sair para o intervalo, deu um abraço para cumprimentar Moraes. Durante a pausa regimental da sessão, que costuma durar uma hora, quem estava do lado de fora da antessala do plenário, onde os ministros aguardam para entrar pôde ouvir risadas descontraídas. Não foi possível observar interações entre Mendonça e Moraes. Eles foram os primeiros a chegar à Corte para a sessão e acessaram o plenário por entradas diferentes. Moraes pela principal e Mendonça pela garagem. Ambos se sentaram em seus respectivos lugares no plenário, lado a lado, mas não se cumprimentaram. Antes do início da sessão, permaneceram de cabeça baixa, mexendo em seus aparelhos celulares. A sessão plenária teve início por volta das 14h30, com a presença apenas do presidente, Edson Fachin, Cristiano Zanin, Gilmar, Mendonça e Alexandre de Moraes. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também estava presente. O decano deixou a sessão alguns minutos após o início e retornou. Pouco depois, chegaram os ministros Flávio Dino, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli. A ministra Cármen Lúcia acompanhou a sessão por videoconferência. Foram julgados casos relativos a temas tributários. Na terça-feira (2), Mendonça, relator do caso Master no STF, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a Moraes. As conversas revelam que Vorcaro buscava obter detalhes sobre investigações junto de Moraes e interferir nas apurações que levaram à sua primeira prisão, em novembro de 2025. Ao tornar público o conteúdo das mensagens na tarde de ontem e pedir a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), Mendonça indicou que o "caminho inevitável" era levar o caso para análise do plenário do STF e defendeu que a avaliação deveria ocorrer "de forma pública e transparente", em sessão presencial do colegiado, em data a ser definida pelo presidente da Corte. Na noite de ontem, a PGR se manifestou pela nulidade do relatório produzido pela PF. No parecer assinado pelo chefe da instituição, Paulo Gonet argumentou que Mendonça atuou ativamente para investigar Moraes e que ordens para investigar pessoas específicas são nulas, se não houver pedido expresso do Ministério Público. Como mostrou o Valor, Mendonça deve liberar o caso para análise do plenário na próxima semana. O que não significa que ela ocorrerá de imediato, uma vez que cabe a Fachin pautar o caso. Alguns ministros, no entanto, não sabem o que esperar de uma eventual análise do relatório, uma vez que não está claro o que deve ser julgado pelo plenário, já que não há pedido de abertura de um inquérito pela PGR, a quem cabe fazer esse tipo de solicitação. Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes na chegada para sessão de julgamento no plenário do STF — Foto: Antonio Augusto/STF