Relator do caso Master na Corte, ministro diz que análise deve ocorrer de forma transparente e pelo colegiado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministro André Mendonça, entre Alexandre de Moraes e Flávio Dino, em sessão de julgamento no plenário do STF — Foto: Antonio Augusto/STF O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicou nesta terça-feira (1º) que o relatório da Polícia Federal (PF) que cita o ministro Alexandre de Moraes como destinatário de uma série de mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Master, deve ser analisado pelo plenário da Corte, em sessão pública e "transparente". Mendonça é o relator do caso Master no STF. Em relatório que estava sigiloso até esta terça-feira, a PF apontou diversas mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes antes de o ex-banqueiro ser preso pela primeira vez. Sem citar Moraes, Mendonça afirma que foram identificados novos integrantes de uma “suposta rede de influência e monitoramento”. “Não havia informação, nos autos, acerca do andamento das investigações destinadas à efetiva identificação dos demais integrantes da rede de monitoramento e influência que teria sido criada para servir aos interesses do grupo criminoso”, diz Mendonça em trecho da decisão. Diante dos novos diálogos, prossegue, “o caminho inevitável dos presentes autos leva ao plenário deste Supremo Tribunal Federal, instância soberana para analisar, de modo técnico e estritamente jurídico, os novos elementos trazidos pela autoridade policial”. De acordo com ele, a análise deve ocorrer “de forma pública e transparente”, em sessão presencial do colegiado, em data a ser definida pelo presidente do STF, Edson Fachin. O presidente da Corte ainda não se manifestou sobre o teor das investigações. “De fato, em um Estado de Direito que se pretende verdadeiramente democrático e republicano, no qual a legitimidade das instituições em geral, e do Poder Judiciário em particular, repousa sobre o efetivo conhecimento, por todos os seus cidadãos, acerca das motivações e fundamentações que embasam as decisões tomadas por autoridades públicas, não há outra forma de deliberação possível senão àquela esculpida em verdadeira cláusula pétrea pelo Constituinte Originário, no inciso IX do art. 93 da Carta de 1988”, prossegue. O trecho da Constituição citada pelo ministro afirma que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário devem ser públicos. Entenda O relatório da PF indica que Vorcaro perguntou a Moraes, dois dias antes de o ex-banqueiro ser preso pela primeira vez, se ele deveria deixar o país. "Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?", perguntou Vorcaro a um contato atribuído, segundo a PF, ao ministro Alexandre de Moraes. O questionamento foi feito em 15 de novembro de 2025. Dali a dois dias, o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, determinaria a prisão de Vorcaro. O diálogo indica que Vorcaro suspeitava da prisão. Indício disso é que embora a investigação tramitasse em sigilo, o ex-banqueiro já sabia que o caso estava com Ricardo Leite e antevia que poderia ser preso. "Bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo?", perguntou Vorcaro em 15 de novembro. Ainda de acordo com mensagens atribuídas a Vorcaro, o ex-banqueiro pediu que Moraes intercedesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. "Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso", teria afirmado Vorcaro a Moraes em 15 de novembro do ano passado. No dia em que foi preso, Vorcaro teria voltado a procurar Moraes. "Alguma novidade? Conseguimos ter notícia ou bloquear?", questionou.
Mendonça pede sessão pública do STF para analisar mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes
Relator do caso Master na Corte, ministro diz que análise deve ocorrer de forma transparente e pelo colegiado














