Caberá ao presidente da Corte, Edson Fachin, pautar o caso 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministro André Mendonça em sessão plenária do STF — Foto: Gustavo Moreno/STF O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve liberar na próxima semana para análise do plenário da Corte o relatório da Polícia Federal (PF) que cita Alexandre de Moraes como destinatário de uma série de mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Segundo interlocutores, Mendonça aguardava a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre o relatório, o que foi feito na noite desta terça-feira (1º). Cabe, no entanto, ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), pautar o caso. Ou seja, a liberação não significa que a análise ocorrerá na semana que vem. Um relatório da PF tornado público nesta terça indica que Moraes foi o destinatário de uma série de mensagens de Vorcaro. Nelas, o ex-banqueiro buscava interferir e ter detalhes sobre a investigação que levaria a sua primeira prisão, decretada em novembro do ano passado. Mendonça deu cinco dias para a PGR se manifestar. O órgão, por meio de seu chefe, Paulo Gonet, enviou parecer pela nulidade do documento. O argumento é que Mendonça atuou ativamente para investigar Moraes. Gonet afirma ainda que ordens para investigar pessoas específicas são nulas, se não houver pedido expresso do Ministério Público. Em uma das mensagens, enviada pouco antes de ser preso, Vorcaro teria perguntado a Moraes se deveria deixar o país. Também teria pedido proteção da PF e da PGR. “Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”, perguntou Vorcaro em uma mensagem de 15 de novembro. Dois dias depois, o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, determinaria a primeira prisão de então banqueiro. O caso tramitava em sigilo na Justiça do DF antes de ser enviado ao Supremo. O diálogo indica que Vorcaro suspeitava da prisão e tinha conhecimento de parte da investigação, mesmo os autos não sendo públicos. Indício disso é que o ex-banqueiro já sabia que o caso estava com Ricardo Leite, a quem faz referência em um dos trechos identificados pela PF. “Bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo?”, perguntou Vorcaro em 15 de novembro. Ainda de acordo com mensagens atribuídas ao então banqueiro, ele pediu que Moraes intercedesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”, teria afirmado Vorcaro ao ministro do STF em 15 de novembro do ano passado. Para PGR, relatório é nulo A PGR disse que o relatório é nulo. O argumento é que Mendonça teria investigado pessoas específicas sem pedido expresso do Ministério Público. Segundo Gonet, não cabe a juízes acusar e, menos ainda, "realizar investigações pré-processuais". Ele diz ainda que compete ao plenário investigar integrantes do Supremo. Segundo Gonet, quando Mendonça determinou, em 24 de agosto, que a PF identificasse destinatários de mensagens de Vorcaro, o ministro já sabia que a apuração iria mirar pessoas com prerrogativa de foro e que, entre elas, estava o ministro Alexandre de Moraes. “Sabia que entre elas estava Moraes. Não poderia deixar de o saber. O ato que determinou a investigação pela Polícia Federal data de 24 de agosto de 2026. Há muito que o relator estava com todas as peças que quis que fossem detalhadas por escrito [pela PF]”, afirmou. Para Gonet, Mendonça atuou ativamente para buscar indicativos de envolvimento de Moraes em ilícitos. “O próprio relator já havia ordenado que lhe entregassem o dispositivo informático contendo todos os dados que vieram a ser postos na peça da polícia. De toda forma, é certo que o relator quis que fossem minudenciados. Não importa o grau de investigação que a providência constitui, é inegável que houve a imersão em elementos dos autos para buscar indicativos de envolvimento do ministro Alexandre de Moraes em ilícitos.”
Mendonça deve levar relatório sobre Moraes e Vorcaro para análise do plenário do STF na próxima semana
Caberá ao presidente da Corte, Edson Fachin, pautar o caso













