Ministro do STF nega irregularidade e que Alexandre de Moraes tenha sido tema da oitiva 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministro André Mendonça em sessão plenária do STF — Foto: Gustavo Moreno/STF O gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta quarta-feira (2) que o magistrado recebeu o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para um depoimento. Em nota, o gabinete diz que o depoimento foi realizado a pedido da defesa do dono do extinto Banco Master, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. A nota foi divulgada após a colunista Bela Megale, do jornal O Globo, revelar que o depoimento ocorreu na semana passada, sem a presença de um representante da Polícia Federal. Um representante do Ministério Público acompanhou a oitiva, cuja data não foi informada no comunicado divulgado pelo gabinete de Mendonça. De acordo com a nota, o processo é regular e foi conduzido por um juiz auxiliar. "Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete", diz o comunicado. A nota ainda registra que o conteúdo do depoimento é resguardado por sigilo legal, mas que não foram abordados temas relacionados ao ministro Alexandre de Moraes. De acordo com a colunista d'O Globo, entre os nomes citados no depoimento, estava o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A reportagem também afirmou que a ausência da PF levantou suspeitas entre investigadores de que Mendonça poderia estar negociando diretamente com Vorcaro uma nova tentativa de delação premiada. O Valor tenta contato com a defesa do ex-banqueiro. Em outro comunicado, divulgado pela manhã, Mendonça também confirmou ter encontrado Daniel Vorcaro na sede do instituto fundado pelo magistrado, em São Paulo, em 14 de março de 2025. A informação aparece em trocas de mensagens no celular de Vorcaro reveladas nesta quarta-feira (2) pelo portal ICL, e foi confirmada pelo Valor. Segundo o magistrado, o tema do encontro não foi relacionado ao Banco Central, mas um processo que discute precatórios do setor sucroalcooleiro. A publicação vem à tona no dia seguinte à decisão do ministro de tirar o sigilo da investigação sobre o Master, da qual é relator na Corte. O documento tornado público traz trocas de mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, nas quais o ex-banqueiro buscava interferir e ter detalhes sobre a investigação que levaria à sua primeira prisão, decretada em novembro do ano passado. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também é citado no documento. O teor das mensagens deu início a uma crise considerada sem precedentes por integrantes da Corte. Nesta quarta-feira, o presidente do STF, Edson Fachin, se pronunciou pela primeira vez a respeito e disse que analisará os fatos. Moraes não se manifestou. Gonet, em resposta a Mendonça, pediu a nulidade do relatório. Leia a íntegra da nota: "O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar. "A presença de representante do Ministério Público em audiências dessa natureza é exigência legal, e foi observada. Quanto à Polícia Federal, as normas do Conselho Nacional de Justiça consagram, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente, o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nos atos em que ele é ouvido (Resolução CNJ nº 213/2015, com as alterações da Resolução nº 562/2024). Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete. "O conteúdo da audiência é resguardado por sigilo legal. Registre-se, apenas, que a informação de que teriam sido abordados temas relacionados ao ministro Alexandre de Moraes não procede."