Banqueiro foi ouvido sem a presença da corporação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Daniel Vorcaro — Foto: Ana Paula Paiva/Valor/Agência O Globo O banqueiro Daniel Vorcaro declarou em depoimento ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que tinha o maior interesse em fazer uma delação premiada, mas que a Polícia Federal não queria ouvi-lo. A fala foi feita durante um depoimento prestado a um juiz auxiliar de Mendonça, colhido no 19º Batalhão da Polícia Militar, a chamada Papudinha, onde o dono do Banco Master está preso desde março. A audiência - revelada pela coluna da Bela Megale - durou cerca de 1h40, ocorreu em 27 de agosto e não contou com a presença de nenhum integrante da PF. Segundo interlocutores do dono do Banco Master, Vorcaro disse que tinha muito a falar, mas havia má vontade por parte da cúpula da PF em querer seguir com o acordo. Ele também relatou que havia sofrido intimidações psicológicas no período em que estava recluso na superintendência da PF - onde estava antes de ser transferido para a Papudinha. No depoimento, o banqueiro afirmou que tem informações sobre irregularidades praticadas por pessoas que fazem parte do "atual governo". Pessoas próximas a Vorcaro têm propalado a ideia de este é o motivo pelo qual a direção da PF não demonstraria interesse em firmar o acordo, sobretudo em período eleitoral. Investigadores da PF refutam essa tese, dizendo que ele não relatou nenhum fato novo ou indicou meios de prova que justificassem a utilidade da colaboração premiada. Integrantes da PF ainda classificaram as declarações sobre "intimidação psicológica" como "fantasias" que fazem parte de uma estratégica dele de fechar uma delação sem a presença da corporação. Procurada, a Polícia Federal disse que não irá se pronunciar. Procurados, os advogados Daniel Bialski e Sergio Leonardo, que representam Vorcaro, afirmaram que não vão se manifestar. Em nota, o gabinete de Mendonça disse que o depoimento aconteceu por "requerimento expresso da defesa” de Vorcaro. Segundo o texto, os advogados dele pediram a oitiva sob o pretexto de que ele “relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência”. O gabinete do ministro afirmou que não comentaria o conteúdo da audiência, que “é resguardado por sigilo legal”. “A presença de representante do Ministério Público em audiências dessa natureza é exigência legal, e foi observada. Quanto à Polícia Federal, as normas do Conselho Nacional de Justiça consagram, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente, o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nos atos em que ele é ouvido. Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete”, diz a nota enviada pelo gabinete de Mendonça. No dia seguinte ao depoimento ao gabinete de Mendonça, em 28 de agosto, Vorcaro prestou depoimento de cerca de quatro horas à PF por meio de videoconferência. Na ocasião, ele foi perguntado sobre fatos relacionados ao inquérito que investiga o suposto pagamento de propina a ex-diretores do Banco Central para evitar a liquidação do Master. Vorcaro negou que tenha pagado favores indevidos aos ex-servidores. Os advogados dele também aproveitaram a oitiva na PF para demonstrar que ele estava interessado em fazer uma terceira proposta de colaboração premiada — as duas anteriores foram rechaçadas tanto pela PF como pela procuradoria-geral da República. Os investigadores alegaram que os anexos entregues por sua defesa não traziam elementos inéditos às apurações e nem avançavam no que já havia sido encontrado nos oito celulares apreendidos com Vorcaro. Em meio a crise no STF, Ministros do Supremo são flagrados rindo, reunidos, após sessão plenária 1 de 6 Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin (costas) reunidos, após sessão plenária, rindo — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo 2 de 6 Luiz Fux, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, reunidos, após sessão plenária do Supremo Tribunal Federal — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 Flávio Dino, Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin deixando uma sessão plenária do Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo 4 de 6 Após sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Cristiano Zanin são flagrados rindo — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo X de 6 Publicidade 5 de 6 Em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Cristiano Zanin são flagrados reunidos rindo após sessão plenária — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo 6 de 6 Após sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Cristiano Zanin são flagrados rindo — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo X de 6 Publicidade Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Luiz Fux aparecem nas fotos O gabinete de Mendonça destacou que o ministro do STF Alexandre de Moraes não foi mencionado na audiência com Vorcaro ocorrida na última quinta. Nesta terça-feira, Mendonça tirou o sigilo de um relatório de 218 páginas da PF que lista pelo menos 28 mensagens enviadas pelo banqueiro a Moraes. No texto, o banqueiro pede conselhos e a ajuda do ministro para que "desarmar" "bloquear" as investigações contra ele.