Em depoimento prestado a um juiz auxiliar do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal, o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, sustentou que sua prisão é fruto de conspiração iniciada desde que adquiriu a instituição financeira, em 2019. Durante a oitiva, o banqueiro tentou convencer as autoridades de que sua detenção foi o ápice de uma engrenagem articulada para silenciá-lo.

“A minha prisão, no meu entendimento, foi uma intimidação para que eu não externasse os fatos que desejava falar desde o começo dessa operação”, sustentou. Ele acrescentou que a detenção ocorreu no dia seguinte ao anúncio de venda da instituição. “Venho sofrendo retaliações para não colaborar com a Justiça desde o início. A minha prisão é o primeiro fato efetivo que comprova isso”.

A suposta perseguição traçada por Vorcaro teria começado antes mesmo da compra do Master. Segundo ele, o sistema financeiro operou desde os primeiros momentos para asfixiá-lo em benefício das grandes instituições. “Desde o começo, eu sofri retaliações absurdas”, declarou.

O réu queixou-se de ter enfrentado “uma retaliação interna no Banco Central muito forte”, descrita por ele como um mecanismo silencioso para barrar novos concorrentes no mercado de crédito. Ele justificou que essa resistência fez com que demorasse quase três anos para viabilizar a aprovação do início dos trabalhos.