A proximidade do banqueiro Daniel Vorcaro com a alta cúpula do poder judiciário era um pilar-chave no esquema criminoso do Banco Master. Primeiro, porque Vorcaro considerava que estaria blindado politicamente e teria informações privilegiadas, como ficou claro nos seus diálogos com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo, porque grande parte dos ativos inflados do banco eram direitos creditórios e precatórios, que dependiam de decisões judiciais para a liberação dos pagamentos.O Master só ficou de pé durante o seu crescimento exponencial porque Vorcaro comprou precatórios com problemas e depois relançou em seu balanço por valores muito maiores do que de fato valiam. Assim, no papel, o banco parecia sólido, enquanto a engrenagem do crime financeiro funcionava nas sombras e a pleno vapor: o dinheiro captado de clientes via CDBs entrava por uma conta, mas saía pela porta dos fundos para financiar festas, viagens, presentes - como charutos e whisky Macallan - e assim corromper e se aproximar de políticos e autoridades.Vorcaro achava que estaria protegido ao se aproximar de ministros e conseguiria receber bilhões em precatórios que inflaram o seu balanço Foto: Divulgação/Banco MasterPUBLICIDADEResta pouca ou nenhuma dúvida para quem acompanha o caso de que os recursos pagos pelo Master ao escritório da esposa de Moraes têm como origem essa engrenagem financeira. Ainda que o ministro nada soubesse, a sua permanência na Corte já é insustentável, como escrevi neste espaço em abril deste ano, após a comprovação de que R$ 80 milhões chegaram a ser pagos pelo banqueiro.O encontro entre Vorcaro e André Mendonça teve como motivação um caso envolvendo precatórios. Ao Estadão, o ministro afirmou que votou contra os interesses do Master e por ora não há nada que indique favorecimento. Por que ministros do STF têm encontros reservados com banqueiros é um tema que precisará ser discutido pela própria corte. Leia mais51 mensagens em 21 dias: os pedidos, consultas, cobranças e a ‘gratidão’ de Vorcaro a Moraes‘Apuração imediata, independente e exaustiva’: entidades nacionais repercutem caso Vorcaro e MoraesVorcaro só podia esbanjar dinheiro - e pagar valores muito acima da média do mercado - porque os precatórios e os direitos creditórios sustentavam artificialmente o seu balanço. Reportagem do Estadão de abril de 2025 mostrou como o resultado do banco foi turbinado por esse tipo de artifício e chamou a atenção de analistas. PublicidadeComo sempre havia dinheiro “novo” entrando no Master para tapar o rombo, via captações de CDBs e depois de recursos dos fundos de pensão, ele continuava pedalando e ludibriando o Banco Central. Vorcaro precisava do Judiciário e usou recursos desviados do banco para comprar simpatia e pedir “favores”. Ao final, acabou preso, mas é preciso investigar quem o ajudou no esquema.Vale ler tambémMuito além das commodities: o agro nacional rumo às prateleiras do mundoSteve Jobs construiu a Apple; Tim Cook a transformou na maior empresa do mundoFalta de terrenos em SP ajuda a ampliar projetos de galpões ao interior