Negócio criminoso e lucrativo: Vorcaro gastou menos de 1% do que captou para ter apoio políticoMaster captou R$ 80 bilhões, enquanto Vorcaro gastou R$ 500 milhões em propinas, negócios, benesses e doações a autoridades. Crédito: Alvaro GribelGerando resumoA Justiça dos EUA autorizou o aprofundamento e a expansão na busca por ativos e recursos ligados ao grupo do Banco Master e seus associados, que teriam sido desviados para aquele país. A investigação saiu do âmbito das entidades bancárias norte-americanas e começou a atingir grandes escritórios de advocacia, especializados em estruturação patrimonial. PUBLICIDADEAlém de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, o grupo investigado envolve mais 20 pessoas e entidades ligadas ao conglomerado financeiro. Procurada, a defesa do ex-banqueiro afirmou que não comentaria.O juiz Scott Grossman, do Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, determinou que os escritórios Greenberg Traurig, Rennert Vogel Mandler & Rodriguez e VMM Law apresentem documentos que identifiquem qualquer interesse legal, equitativo ou beneficiário que envolvidos no caso tenham em empresas ligadas a propriedades, mesmo que detidos indiretamente por meio de “indicados” ou “entidades shell” (de fachada). PublicidadeFachada do prédio na Collins Avenue,15701: investigações sobre origem do dinheiro de apartamento em Sunny Isles Foto: Zillow.com O Renner Vogel é um escritório de advocacia com sede em Miami, especializado em direito empresarial e imobiliário. O VMM Law fica na mesma cidade, mas, além do imobiliário, atua especificamente em planejamento sucessório e criação de trusts (estruturas de proteção patrimonial).Já o Greenberg Taurig é uma das maiores e mais prestigiadas bancas de advocacia globais do mundo. Tem 3,2 mil advogados espalhados por mais de 50 escritórios nos Estados Unidos, Europa, América Latina, Ásia e Oriente Médio. Atua com grandes litígios e transações transfronteiriças.As ordens judiciais buscam desvendar a real propriedade de apartamentos residenciais em Miami e Sunny Isles Beach, istmo da cidade conhecida pelos prédios de altíssimo luxo. A investigação pede o detalhamento do papel de entidades ligadas a transações com imóveis. PublicidadeSaiba mais: Vorcaro ‘perdeu’ iate de R$ 2 bi e dinheiro pode ficar com bilionário canadenseMercado avalia que empréstimo de R$ 6,6 bi pode ser insuficiente para socorrer BRB; leia bastidorFlávio Bolsonaro segue sem explicar financiamento de ‘Dark Horse’ publicamente 2 meses após promessaOs pedidos específicos foram feitos para Flora Paramount Properties LLC (relacionada no processo a um imóvel conhecido como “Propriedade 851”, no centro de Miami). Também para a Ocean Fantasy of Florida LLC, que está ligada à “Propriedade Sunny Isles Beach Unit 2904”, bem como à Bullspin Ventures LLC, relacionada à “Unidade 3408″, em Miami). Esses imóveis já haviam aparecido na investigação do liquidante. São apartamentos residenciais de luxo no Paramount Miami Worldcenter e na Avenida Brickell e uma cobertura no Complexo de Aqualina, em Sunny Isles Beach.Liquidante busca ‘seguir o dinheiro’O objetivo, agora, é identificar a origem exata dos fundos utilizados para a compra dessas unidades e o destino dos rendimentos de possíveis vendas. O liquidante quer confirmar se esses valores vieram, direta ou indiretamente, do Banco Master ou de pessoas com ativos bloqueados mencionadas no processo.PublicidadeTambém descobrir quem são os verdadeiros donos ou interessados por trás das entidades Flora Paramount Properties LLC, Ocean Fantasy of Florida LLC e Bullspin Ventures LLC.Para chegar lá, foram exigidos dados financeiros técnicos e exaustivos. Entre eles, a origem e o destino dos fundos, com a identificação exata de contas bancárias, nomes de titulares e bancos intermediários. Também rastros bancários internacionais, com solicitação de códigos Swift (para transações internacionais) e instruções de transferência eletrônicas (wires) relacionadas a aos fechamentos imobiliários. São solicitados ainda emails e trocas de mensagem via aplicativos, como WhatsApp, Telegram e Signal, desde janeiro de 2018. Os escritórios têm até 3 de setembro para entregar o material. Vale ler tambémQual o Estado brasileiro com mais filhos sem a presença dos pais nos lares? Abono salarial: que tal cortar R$ 30 bi de gasto desprovido de evidência de atender política social?Bancos privados fecham 2 mil agências e cortam 14 mil vagas em um anoPublicidade