O banqueiro Daniel Vorcaro encabeçava um negócio criminoso extremamente lucrativo, como ficou mais claro a partir da ferramenta Vorcarosfera, elaborada pelo Estadão. Se de 2019 a 2025 o banqueiro conseguiu captar cerca de R$ 80 bilhões em recursos pelo Banco Master, ele gastou - ou prometeu gastar - ao menos R$ 550 milhões, menos de 1% do total, para corromper e se aproximar de políticos e autoridades em Brasília.A soma considera recursos pagos em propina e negócios feitos pelo banqueiro - quase sempre com valores acima dos praticados pelo mercado -, doações de campanha e benesses a políticos e autoridades, como festas, jantares, voos em jatinhos e degustações de bebidas caras.Vorcaro não economizou para conquistar apoio e simpatia em Brasília Foto: Divulgação/MasterPUBLICIDADEO total do que ele gastou, no entanto, ainda tende a subir, porque novas operações - e revelações - são esperadas por parte da Polícia Federal, como a que mostrou no último mês que o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula no Senado, teria recebido R$ 6 milhões do baiano Augusto Lima, sócio de Vorcaro no Master.Não fosse a atuação do Banco Central, que negou a proposta de compra feita pelo Banco de Brasília (BRB) em setembro de 2025 e liquidou o Master em novembro do mesmo ano, o plano de Vorcaro não só teria dado certo como teria continuado a gerar lucros bilionários que permitiriam que ele continuasse esbanjando dinheiro e ampliando sua proteção política.Leia maisVorcarosfera: a teia de Daniel Vorcaro em BrasíliaPor ora, o que se sabe é que a maior propina paga foi direcionada ao ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que levaria R$ 146 milhões em seis imóveis em São Paulo e em Brasília. Desse total, a PF afirma que R$ 74 milhões foram efetivamente desembolsados. PublicidadeNo segundo lugar da lista - aí não na categoria da propina, mas na dos que fizeram negócios lucrativos com o banqueiro - está o escritório da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, que firmou um contrato de R$ 129 milhões com o banqueiro, tendo recebido cerca de R$ 80 milhões desse total até novembro de 2025. Os serviços prestados que justifiquem essa quantia ainda carecem de maiores explicações. Viviane, como mostrou o Estadão, enviou diretamente a Vorcaro a minuta do contrato. Depois, surge o ex-ministro do governo Bolsonaro Fábio Faria. Uma empresa vinculada a Vorcaro - a teia de negócios é ampla e cheia de empresas, fundos e CNPJs diferentes - teria pago R$ 67,5 milhões em um projeto do setor de energia eólica. Faria também atuava no segmento de compra de venda de precatórios, um tipo de ativo que ajudou o Master a inflar de forma artificial o balanço do banco.A lista também inclui o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, que pediu R$ 61 milhões a Vorcaro para financiar o filme sobre a história do seu pai, sem que ainda se saiba como esses recursos foram gastos. E diversas autoridades, como ex-presidentes, ex-ministros, deputados, senadores, servidores do Banco Central.Vorcaro não economizou para conquistar apoio e simpatia em Brasília. O que os números mostram, no entanto, é que isso foi praticamente nada diante dos bilhões que entraram no banco pela torneira aberta de captações via CDBs e recursos de fundos de pensão.