Uma das principais barreiras para que a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro deslanche é a dificuldade que ele tem de admitir, até mesmo para seus amigos, assessores e advogados, que cometeu crimes ou atos antiéticos e que, portanto, deve confessar que corrompeu agentes políticos para que o beneficiassem.
A opinião é de cinco interlocutores diretos do dono do Banco Master ouvidos pela coluna, da área jurídica e da área empresarial.Na avaliação unânime de todos eles, que conviveram com Vorcaro em diferentes momentos, antes e depois de sua segunda prisão, o ex-banqueiro acredita piamente que jogou dentro das regras do jogo do mundo político e empresarial ao se aproximar de autoridades e ter com elas envolvimento financeiro.
Credita seu infortúnio não aos atos que cometeu, segundo um dos auxiliares, mas sim ao poder de adversários do mundo dos negócios que "trabalharam por sua desgraça". Até mesmo as manobras em operações financeiras teriam seguido as brechas permitidas pela lei.
"A ficha dele está caindo muito lentamente", diz um dos profissionais, justificando a qualidade das informações prestadas até agora por Vorcaro à PF (Polícia Federal) e à PGR (Procuradoria-Geral da República) em sua segunda tentativa de acordo de delação premiada.













