A tentativa frustrada de Daniel Vorcaro de negociar uma colaboração premiada causou problemas tanto com as autoridades quanto com a própria equipe de defesa do dono do Master. Integrantes da equipe de investigadores consideraram a proposta fraca e afirmam não aceitar mentiras por parte do investigado.

Um dos pontos de desavença foi quanto à relação de Vorcaro com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP. Envolvidos nas negociações afirmaram, sob reserva, que o ex-banqueiro ainda não deu explicações satisfatórias sobre o tema, que já tem material colhido de forma independente.

Apesar de a investigação já ter alcançado o parlamentar, Vorcaro segue afirmando, segundo esses interlocutores, que manteve a relação financeira com Ciro apenas por amizade. O parlamentar nega qualquer ilícito. "Nunca recebi nenhum valor ilícito ou cometi qualquer irregularidade que seja, nesse caso ou em qualquer outro", disse após ser alvo de operação no mês passado.

Diante disso, duas pessoas a par da negociação afirmaram à Folha que a delação é uma prerrogativa de defesa mas, para funcionar, o ex-banqueiro precisa querer entregar "para valer" e não mentir.

A fragilidade dos relatos que o ex-banqueiro fez até o momento provocou também uma briga com seu advogado anterior. José Luis Oliveira Lima, o Juca, deixou o caso em 22 de maio. Ele relatou a pessoas próximas uma discussão com Vorcaro pouco antes de oficializar a saída, na qual o defensor teria dito que o ex-banqueiro não havia entendido ainda a gravidade da situação em que se encontra.