0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministro Dias Toffoli em sessão de julgamento do TSE — Foto: Luiz Roberto/TSE A decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de impor restrições à campanha presidencial de Renan Santos (Missão) extrapolou as consequências previstas para a apresentação tardia de perfis em redes sociais, segundo especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo Valor. Os especialistas também contestam a ameaça de indeferimento da candidatura. Toffoli suspendeu no domingo (30), a veiculação de propaganda eleitoral de Santos em perfis que não foram informados à Justiça Eleitoral. A decisão foi tornada pública nesta segunda-feira (31). A determinação, no entanto, não impede a atuação da campanha nos dois canais regularmente declarados ao TSE, nem a realização de atividades de rua. O ministro também suspendeu o acesso da chapa aos recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário, bem como a realização de gastos com valores eventualmente já recebidos. Renan e seu candidato a vice, Aroldo Medina, também ficaram impedidos de participar de entrevistas e debates em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação. Para o especialista em direito eleitoral Kaleo Dornaika Guaraty, doutorando na UERJ e mestre pela USP, a própria regulamentação eleitoral já estabelece uma consequência específica para a comunicação tardia dos perfis, sem prever as demais restrições impostas na decisão. “A resolução do TSE diz que o endereço informado a destempo só pode ser usado 48 horas após a anotação. Essa é a sanção escolhida pela norma. Suspender fundo eleitoral e debates não está previsto em lugar nenhum para esse descumprimento”, afirmou. Guaraty também criticou a abrangência da determinação de suspensão das contas. Na avaliação do especialista, a medida alcança os perfis como um todo, e não apenas eventuais conteúdos de propaganda eleitoral, podendo atingir publicações não relacionadas à campanha e os próprios seguidores dessas contas. Na mesma linha, Guilherme Barcelos, advogado especialista em Direito Eleitoral e doutor em Direito Constitucional, classificou a decisão como “indefensável”. Segundo ele, a eventual irregularidade poderia, no limite, levar à suspensão do perfil não informado, conforme prevê a regulamentação. “Na pior das hipóteses, seria de inutilização desse perfil, tal como prevê, inclusive, a resolução do TSE [sobre o tema]”, afirmou. Os dois especialistas também contestaram a possibilidade de indeferimento do registro da candidatura em razão da irregularidade. Para Guaraty, as hipóteses para rejeição de uma candidatura estão relacionadas às condições de elegibilidade e às causas de inelegibilidade, enquanto a apresentação tardia das contas seria uma pendência que pode ser corrigida. Barcelos afirmou que a ausência de informação sobre perfis em redes sociais também não seria suficiente para justificar o indeferimento do registro. “Não estamos tratando aqui nem mesmo remotamente de um fato capaz de ensejar o indeferimento do registro de candidatura”, disse. Guaraty ainda criticou a justificativa de urgência adotada pelo ministro, uma vez que os perfis foram informados em 19 de agosto e a decisão foi tomada no dia 30. Para ele, o intervalo entre a comunicação das contas e a decisão enfraquece o argumento de que haveria necessidade de uma medida imediata. O especialista também afirmou que a decisão teria caráter punitivo ao considerar que eventuais benefícios obtidos anteriormente pelos perfis seriam irreversíveis. Segundo ele, uma medida cautelar deveria buscar preservar um resultado futuro, e não punir condutas já ocorridas antes do exercício do contraditório. Nesse sentido, Guaraty apontou ainda a aplicação da medida apenas à campanha de Renan, ao destacar que a própria decisão menciona recomendações cruzadas envolvendo outros candidatos. Para ele, haveria uma contradição entre a defesa da isonomia na disputa eleitoral e a adoção das restrições contra apenas uma candidatura. A decisão foi tomada após Toffoli identificar que perfis utilizados pela campanha teriam sido comunicados à Justiça Eleitoral fora do prazo. O ministro deu 24 horas para que Renan apresente explicações e informações sobre as contas. Em pronunciamento, Santos afirmou que a decisão é ilegal, persecutória e que vai recorrer. No vídeo, o candidato afirma que estaria "pagando o preço" por ter atuado, antes de ser candidato, em manifestações públicas contra o ministro, que foi relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
Decisão de Toffoli contra campanha de Renan Santos extrapola punições previstas, dizem especialistas
Decisão de Toffoli contra campanha de Renan Santos extrapola punições previstas, dizem especialistas












