[RESUMO] Autor sustenta que não é possível reduzir a explicação do patamar dos juros do Brasil, como faz uma vertente liberal, ao crescimento do gasto primário. A concentração bancária, a dívida pública fortemente sensível à Selic e uma economia em que a taxa básica remunera aplicações em condições extremamente vantajosas, desestimulando o investimento produtivo, também devem ser levadas em consideração.

O debate sobre a formação da taxa de juros no Brasil voltou ao centro da discussão econômica —se é que saiu um dia, como não poderia deixar de ser em um país que convive há décadas com juros reais entre os mais elevados do mundo, crescimento insuficiente, baixa taxa de investimento e uma permanente transferência de renda para os detentores da riqueza financeira.

Essa é mais que uma controvérsia de economistas ou uma disputa entre modelos teóricos. Trata-se de uma questão decisiva para o futuro do país: por que o Brasil paga juros tão altos e o que precisamos fazer para financiar o nosso desenvolvimento?

Em diferentes momentos e espaços, eu e economistas temos debatido o tema com Samuel Pessôa, pesquisador cuja contribuição ao debate público merece respeito e atenção. Ele sustenta que houve diferentes etapas na formação dos juros brasileiros.