Em falas recentes, o presidente Lula defendeu uma política de "seriedade fiscal" para viabilizar uma redução das taxas de juros, mas questionou as regras fiscais que limitam a expansão dos gastos públicos, já que elas reduziriam os investimentos executados pelo governo federal.

Em tom de crítica, sobretudo à chamada Faria Lima, Lula apontou que "o único gasto que a gente faz de verdade é pagar R$ 1,2 trilhão de dívida de juros".

Bem, para começar, os gastos com juros não são o único gasto. No ano passado, o governo federal gastou cerca de R$ 2,4 trilhões com as diversas políticas públicas.

Desse montante de despesas primárias (isto é, excluindo juros sobre a dívida), pouco mais de R$ 1 trilhão foi pago como benefícios previdenciários (urbanos e rurais), R$ 88 bilhões para abono salarial e seguro-desemprego, R$ 127 bilhões para o BPC/LOAS e R$ 158 bilhões com o programa Bolsa Família.

Ou seja: do total de gastos primários federais, quase 60% correspondem a transferências monetárias diretas para a população.