Endividamento do país já chega a 81,9% do PIB, puxado pela Selic e pelo déficit nominal 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro da Fazenda, Dario Durigan — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo Um dia depois de o Banco Central (BC) reduzir a Taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o resultado das contas do governo, desde 2024, não é responsável pela alta da dívida pública, mas juros da economia. — Desde 2024, o resultado do governo não é responsável pelo aumento da dívida pública, e sim os juros — disse Durigan, em entrevista à GloboNews. – Não há descontrole ou crise fiscal. Dados divulgados pelo Banco Central na semana passada mostram que a dívida bruta do setor público brasileiro atingiu 81,9% do PIB em junho, alcançando R$ 10,8 trilhões. Foi um aumento de 0,9 ponto percentual em relação a maio. Esse é o maior nível desde abril de 2021, em meio à pandemia da Covid-19, mês em que o endividamento do setor público totalizou 82,6% do PIB. Este é um dos principais indicadores econômicos observados pelos investidores na avaliação da saúde das contas. Especialistas tem falado da necessidade de segurar a trajetória da dívida para melhorar o ambiente econômico do país. O endividamento do país ocorre por conta do déficit público e do pagamento de juros para cobrir este rombo. A dívida pública subiu 10,2 pontos percentuais neste terceiro mandato do governo Lula, que iniciou com um passivo que somava 71,7% do PIB ao final de 2022. Com essa alta nos últimos anos, o endividamento público retorna aos patamares que atingiu durante a pandemia, quando chegou ao seu recorde histórico, de 87,7% do PIB, em dezembro de 2020. Ao se considerar o critério nominal, que inclui também as despesas com pagamento de juros da dívida pública, há um déficit acumulado em doze meses de R$ 1,317 trilhão (9,99% do PIB), com um aumento de 0,38 ponto percentual do PIB em relação ao mês anterior. – O esforço de trajetória é de diminuir os juros no Brasil – disse o ministro. Durigan afirmou que o governo vai deixar um Orçamento para 2027 "estruturalmente melhor". Além disso, o ministro comparou a situação com 2022, ano eleitoral, numa crítica a gestão Jair Bolsonaro. – Vamos perseguir a melhor do resultado fiscal do país. Este ano é de eleição, como foi em 2022. Naquele ano, tivemos inflação de dois dígitos, agora é de 5%, metade disso – disse. Questionado sobre como o comportamento das contas públicas impactam os juros, Durigan disse que esse não é o único aspecto. – O aumento da taxa de juros não está vinculado ao fiscal – disse. – O governo não está gastando mais que arrecada, mas temos que rolar a dívida, é nessa gestão que estamos falando de aumento de endividamento. O ministro afirmou ser um desafio endereçar a questão dos juros e reconheceu que isso é mais difícil de ser "vendido". Disse que a variável sob controle do governo, que é o fiscal, será perseguida nos próximos anos e que não há nenhum risco de o Tesouro não pagar sua dívida hoje. – Há sim preocupação com tamanho da dívida, precisamos trabalhar para diminuir juros, com esforço fiscal. O mundo inteiro está pressionado com inflação e com política monetária agressiva – afirmou.
Ministro da Fazenda culpa juros por alta da dívida: 'Resultado do governo não é responsável pelo aumento'
Endividamento do país já chega a 81,9% do PIB, puxado pela Selic e pelo déficit nominal









