0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O Congresso Nacional e a Esplanada dos Ministérios — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo O Copom vai reduzir hoje a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, para 14%. Mas o que está preocupando mesmo o governo, o mercado e os analistas é que o Tesouro Nacional está pagando cada vez mais caro para colocar seus papéis no mercado, ou seja, para rolar a dívida. Com a redução de hoje, a Selic terá acumulado uma queda de um ponto percentual neste ano. Nesse mesmo período, subiu dois pontos percentuais os juros real exigido pelo mercado para a rolagem da dívida. O título NTN-B, que é o mais negociado, está pagando inflação mais juros reais de 8%. Isso é uma bola de neve, um ciclo vicioso: os juros são altos, a dívida cresce e, com o aumento da dívida, cresce também a preocupação dos investidores, que passam a exigir juros ainda maiores para financiar o governo. No período eleitoral, há um aumento desse custo. A nossa dívida não é apenas alta; ela também tem um perfil ruim, é muito indexada à Selic, muito pós-fixada. Então, quando há uma crise ou qualquer onda de dúvidas, o endividamento cresce muito rapidamente. Com isso, o custo financeiro do governo aumenta na mesma velocidade. Postagens de lideranças políticas usando IA dobrou na última semana no Brasil, aponta monitoramento Tenho conversado com integrantes do governo, que falam em um ajuste equivalente a 2 pontos percentuais do PIB no próximo ano, por meio da redução dos gastos primários. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chegou a mencionar, em conversas com o mercado financeiro, a possibilidade de reduzir o teto de crescimento desses gastos, hoje de 2,5%, mas não explicou para quanto nem como isso seria feito. O que muitos economistas defendem é um congelamento dos gastos, sem autorização para novos aumentos, porque consideram que uma redução mais branda seria insuficiente. Tarifaço passa a impor perdas também a Lula, mostra Genial/Quaest O gasto aumentou, mas isso também ocorreu em outros governos. Na dívida pública, todas as informações aparecem. Mesmo as que não entram na contabilidade do déficit primário, entram como endividamento. Há uma preocupação muito grande com a dívida pública: não só porque ela chegou a cerca de 82% do PIB, mas também porque o perfil ficou mais caro e pior neste ano. Seria ideal que esse debate, embora seja muito árido, levasse todos os candidatos a apresentar um programa e dizer: "Eu vou enfrentar esse problema desta forma". Mas ninguém está disposto a fazer isso. E a cobrança maior recai sobre o presidente Lula porque é o incumbente e está na frente das pesquisas.