Autoridades são citadas em decisões do ministro Flávio Dino; caso envolve suposta obstrução de Justiça em investigação de assassinato no Maranhão 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O senador Weverton Rocha, no plenário do Senado — Foto: Carlos Moura/Agência Senado/16-12-2025 O Supremo Tribunal Federal autorizou uma investigação sobre possível "ato ilegal" envolvendo o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça, e o senador Weverton Rocha (PDT-MA). A informação está em decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que teve o sigilo retirado nesta sexta-feira. O ministro do STJ e o senador foram procurados pela coluna, mas ainda não responderam. O espaço segue aberto para suas manifestações. A decisão de Dino cita investigações da Polícia Federal que apuram o suposto pagamento de propina para obstruir a investigação de crimes no Maranhão. Em representação encaminhada ao Supremo, a PF cita a "possível atuação do senador Weverton Rocha junto ao gabinete do ministro Humberto Martins, com o propósito de influenciar o curso da Sindicância nº 861/DF, inclusive mediante relatos de interlocuções e tratativas que teriam por finalidade obstar o regular prosseguimento da apuração, em contrapartida a valores". A análise do celular do senador, apreendido em operação que apura fraudes no INSS, apontou conversas "mantidas de forma reiterada" com o ministro do STJ entre janeiro de 2023 e outubro de 2025. "Evidenciou-se a existência de uma relação de proximidade pessoal entre os interlocutores, que ultrapassa os limites de uma interação meramente formal ou institucional", sustenta a PF. Os investigadores afirmam que "alguns pedidos realizados pelo senador ao magistrado ocorreram de modo direto, com menção nominal àqueles que teriam ações tramitando sob relatoria do ministro". Um dos diálogos rastreados pela PF ocorreu em 02/06/2025. Na mesma data, Humberto Martins determinou a transferência de Gilbson Cutrim Soares Júnior da penitenciária de Pedrinhas (MA) para Brasília. Gilbson foi condenado pelo assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira Oliveira, em 2022. No mês passado, o ministro Dino ordenou a prisão do ex-deputado estadual maranhense Raimundo Cutrim em apuração ligada ao mesmo caso. O crime é citado na decisão do ministro Alexandre de Moraes que ordenou buscas em endereços de fontes do blogueiro maranhense Luís Pablo nesta terça, levantando debate sobre a proteção ao sigilo da fonte jornalística. Nesta quinta, o presidente do Supremo, Edson Fachin, solidarizou-se com Dino, defendeu a liberdade de imprensa e afirmou que o tema será submetido ao colegiado.