Também há a suspeita de que o parlamentar tenha atuado junto ao gabinete do ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça, para influenciar o andamento do caso 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senador Weverton Rocha — Foto: Lula Marques/Agência Brasil Um inquérito relatado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura se o senador Weverton Rocha (PDT-MA) atuou para tentar atrapalhar a investigação de um assassinato ocorrido no Maranhão em 2022. Também há a suspeita de que o parlamentar tenha atuado junto ao gabinete do ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça, para influenciar o andamento do caso. A Polícia Federal (PF) teria identificado uma série de diálogos entre o senador e o ministro. Há a suspeita de que uma dessas conversas pode ter levado à transferência de Gilbson Cutrim Soares Júnior, condenado pelo assassinato, à Penitenciária Federal de Brasília. Antes, Gilbson estava preso na Penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão. O Valor entrou em contato com as assessorias de Weverton Rocha, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. “O Ministro Humberto Martins esclarece que, em razão do processo tramitar sob segredo de justiça, não irá se manifestar sobre a matéria. Igualmente destaca que os autos do habeas corpus foram encaminhados ao Ministro Flávio Dino, relator do caso no STF”, informou Martins por meio de nota. “A análise do material extraído do aparelho celular de Weverton Rocha revelou a existência de comunicações diretas com o Ministro do STJ, Humberto Martins, mantidas de forma reiterada entre 25/01/2023 e 04/10/2025. De acordo com a análise, esses contatos ocorreram por meio de diferentes canais, sendo identificadas mensagens de texto, áudios, ligações telefônicas e compartilhamento de mídias, a partir dos terminais vinculados a ambos”, disse a PF a Dino. De acordo com os investigadores, alguns dos pedidos feitos pelo senador ao magistrado ocorreram “de modo direto”, com menção nominal a investigados em casos relatados por Humberto Martins. Na data de uma das conversas, “por determinação do próprio ministro Humberto Martins, foi efetivada a transferência de Gibson Cutrim Soares Júnior da Penitenciária de Pedrinhas/MA para Brasília. Conforme levantamento dos documentos constantes da Sindicância 861/STJ, não se identificaram novas movimentações decisórias relevantes no âmbito do referido procedimento”, prossegue a PF. Os investigadores afirmam que há indícios de atuação de um “grupo organizado” agindo deliberadamente “para a obstrução de investigação, inicialmente em andamento na Justiça do Maranhão, depois no STJ, e agora no âmbito deste STF”. A PF busca saber qual o papel do senador. Em uma das decisões proferidas por Dino no caso, o ministro afirma que “chama a atenção” a acusação de “possível atuação do senador Weverton Rocha junto ao gabinete do ministro Humberto Martins, com o propósito de influenciar” a investigação, inclusive “mediante relatos de interlocuções e tratativas que teriam por finalidade obstar o regular prosseguimento da apuração”. A decisão é de julho deste ano. Nela, Dino determinou a prisão preventiva de Raimundo Cutrim, ex-secretário extraordinário de Assuntos Legislativos do Maranhão, por também ter supostamente atuado para atrapalhar as investigações. O nome de Raimundo Cutrim voltou ao noticiário nesta semana porque o ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou uma operação contra o ex-secretário. Ele seria a fonte de um jornalista investigado por monitoramento ilegal do ministro Flávio Dino. Cutrim seria o responsável por repassar ao jornalista Luís Pablo, do blog Luís Pablo, informações que viraram uma reportagem sobre o suposto uso indevido, por Dino, de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA). O ministro nega. Ele diz que nunca utilizou automóveis oficiais do tribunal de forma irregular. A decisão de Moraes levantou discussões sobre violação ao sigilo da fonte, levando o STF a reiterar o compromisso com a liberdade de imprensa. Entidades, como a Associação Nacional de Jornais (ANJ), criticaram a decisão de Moraes. “Ações judiciais que quebram o sigilo da fonte não têm amparo constitucional e abrem precedentes que ameaçam a liberdade de imprensa, amparada pela Constituição de 1988. O artigo 5, inciso XIV, diz taxativamente que é 'resguardado o sigilo da fonte quando necessário para o exercício profissional'", afirmou. Segundo o Valor apurou, Gilbson Cutrim e Raimundo Cutrim são aparentados, mas o parentesco não é citado no processo.
Inquérito relatado por Dino apura se senador Weverton Rocha atrapalhou investigação de homicídio
Também há a suspeita de que o parlamentar tenha atuado junto ao gabinete do ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça, para influenciar o andamento do caso










