A alta foi impulsionada por fatores sazonais relacionados às férias escolares de inverno, segundo ministro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A inflação na Argentina sobe para 2,1% em julho e interrompe uma sequência de três meses de quedas — Foto: Sarah Pabst/Bloomberg A inflação argentina ficou em 2,1% em julho, uma leve alta em relação ao mês anterior e uma interrupção no processo de desaceleração observado no último trimestre, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O resultado superou os 1,9% registrados em junho, e rompeu a barreira dos 2% pela primeira vez em dez meses. A inflação acumula 19,3% nos primeiros sete meses do ano e uma variação de 33,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O índice foi divulgado no mesmo dia em que o ministro da Economia, Luis Caputo, anunciou medidas para ampliar o acesso das empresas a créditos em dólares, com o objetivo de dinamizar a economia. Caputo considerou que a aceleração “não é uma surpresa porque julho é um mês sazonalmente elevado”, durante uma coletiva de imprensa realizada antes da divulgação dos dados pelo Indec. “Com a política que estamos seguindo, é uma questão de tempo até que a inflação convirja para os níveis internacionais”, afirmou o ministro. “O processo de desinflação que estamos observando é fenomenal”, acrescentou. Caputo destacou que “todos os países estão enfrentando uma inflação maior e um crescimento menor” devido ao aumento do preço do petróleo. A inflação de julho foi impulsionada por fatores sazonais relacionados às férias escolares de inverno. O setor de recreação e cultura, que registra maior consumo das famílias argentinas todo mês de julho, foi o que apresentou a maior alta no mês, de 5%. Desde que assumiu, em dezembro de 2023, Milei implementou um forte ajuste que eliminou o déficit fiscal crônico do país e conseguiu reduzir uma inflação de três dígitos para cerca de 30% ao ano, dois anos depois. Em contrapartida, isso implicou fortes cortes nos gastos públicos, fechamento de órgãos estatais, dezenas de milhares de demissões e uma significativa perda do poder de compra dos salários e das aposentadorias. A economia argentina cresceu 1,7% nos primeiros cinco meses do ano. O crescimento de setores como o financeiro, a mineração e o agronegócio contrastou com a queda da indústria manufatureira e do comércio. Segundo um relatório da Confederação Argentina da Média Empresa, as vendas no varejo caíram 3,8% em relação a julho do ano anterior e recuaram 2,1% em comparação com o mês anterior.