O número veio ligeiramente acima das expectativas dos analistas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A inflação mensal na Argentina atingiu um patamar de 2,1% em julho, interrompendo uma sequência de três meses consecutivos de desaceleração, informou o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) nesta quinta-feira (13). Enquanto isso, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no acumulado dos últimos 12 meses até julho atingiu 33,8%. Já no acumulado de 2026, o resultado ficou em 19,3%. No mês passado, o índice ficou abaixo da cifra de 2% pela primeira vez em dez meses. O número veio ligeiramente acima das expectativas dos analistas, que, de acordo com a Pesquisa de Expectativas de Mercado (REM), elaborada pelo Banco Central da República Argentina (BCRA) e divulgada em 6 de agosto, estimavam que a inflação mensal seria de 2% para julho – mesma estimativa do mês anterior. O setor que sofreu as maiores altas no mês foi o de recreação e cultura (+5%), em consequência do aumento dos preços de pacotes turísticos e serviços culturais. A segunda maior alta foi registrada em restaurantes e hotéis (2,8%). Já as menores variações foram registradas nos setores de vestuário e calçados (-1,3%) e bebidas alcoólicas e tabaco (1,5%). Recuperação da economia em perigo O resultado que quebrou a sequência de desaceleração dos meses anteriores ocorre em meio a sinais de fragilidade na recuperação econômica do país. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência das famílias argentinas continua em alta, algo que ameaça frustrar a expectativa do governo de que a expansão do crédito e do consumo ajude a dar mais força à economia antes das eleições presidenciais de 2027. A inadimplência do consumidor, que inclui cartões de crédito e financiamentos de veículos e outros bens, avançou por 17 meses consecutivos e atingiu 12,1% em abril, maior nível em 20 anos. A deterioração levou, inclusive, os bancos a adotar critérios mais rígidos para a concessão de novos empréstimos, limitando o espaço para uma recuperação mais robusta do consumo. Diante desse cenário, as autoridades passaram a incentivar a renegociação de dívidas de clientes em dificuldades. Os bancos estatais Banco Nación e Banco Ciudad, por exemplo, lançaram programas para ampliar os prazos de pagamento e reduzir os custos para os devedores, enquanto o ministro da Economia, Luis Caputo, elogiou iniciativas semelhantes adotadas por instituições privadas. FMI Apesar das dificuldades de crédito, outros indicadores da economia argentina têm recebido avaliações positivas. No mês passado, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, destacou avanços do governo de Javier Milei, como o acúmulo de reservas internacionais, a disciplina fiscal e a melhora do perfil de risco soberano do país. Georgieva afirmou ainda que a Argentina estava em “um bom caminho” para integrar o grupo de mercados emergentes “que tomaram empréstimos do FMI, reformaram suas economias e depois deixaram de recorrer ao Fundo”. Frutas e legumes expostos em gôndola de superpermercado em Buenos Aires — Foto: Márcia Almeida/Valor