A inovação pública já não é um tema secundário no Brasil. Nos últimos anos, governos municipais, estaduais e federais passaram a criar laboratórios, lançar editais, mapear desafios, testar soluções digitais e se aproximar de startups, universidades e organizações da sociedade civil. O país aprendeu a colocar inovação na agenda.

O problema é que colocar na agenda não significa sustentar no tempo. Estudos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e da Enap (Escola Nacional de Administração Pública) indicam que 28,3% dos projetos de inovação pública não são mantidos após troca de gestão. Em políticas mais sensíveis à orientação política de cada governo, essa taxa chega a 30%.

O dado expõe uma fragilidade conhecida da administração pública brasileira: até mesmo iniciativas bem estruturadas podem desaparecer quando muda a gestão, acaba o orçamento ou sai a equipe responsável.

O desafio, portanto, mudou de natureza. Já não se trata apenas de convencer o setor público a inovar. Trata-se de construir condições para que a inovação sobreviva à rotina da máquina pública.

O caso do Pitch Gov SP ajuda a entender o problema. Criado pelo governo de São Paulo para conectar startups a desafios públicos, o programa conseguiu mobilizar o ecossistema e testar soluções entre 2015 e 2019.