Todos os dias, empresas escolhem onde direcionar seus melhores talentos e recursos. Nas economias mais dinâmicas, eles são alocados em pesquisa, criação de novos produtos, aperfeiçoamento de processos e ganhos de produtividade.

Desenvolver uma nova tecnologia exige tempo, capital e riscos elevados. Obter proteção estatal para preservar mercados, porém, pode ser muito mais barato e oferecer retornos mais previsíveis. Quando essa lógica deixa de ser exceção e se torna regra, a inovação deixa de ser o principal caminho para o sucesso empresarial. É nesse momento que o capitalismo começa a mudar de natureza.

O progresso econômico depende da renovação permanente da economia. Novas empresas desafiam as líderes, novas tecnologias tornam antigas soluções obsoletas e novos empreendedores substituem aqueles que perderam a capacidade de inovar e competir. O capitalismo não prospera apesar dessa instabilidade, mas justamente por causa dela. Seu dinamismo repousa na certeza de que nenhuma empresa permanece líder para sempre. Joseph Schumpeter chamou esse processo de destruição criativa.

O problema surge quando preservar vantagens passa a ser mais lucrativo do que conquistá-las. Em muitos aspectos, o ambiente institucional brasileiro criou exatamente esse conjunto de incentivos. Ao longo de décadas, construímos um sistema em que frequentemente é mais racional disputar favores do Estado do que conquistar consumidores. Benefícios tributários, regimes especiais, crédito subsidiado e barreiras regulatórias fizeram da influência política parte da estratégia competitiva de inúmeras empresas.