Há algo curioso — e profundamente contraditório — acontecendo no mundo da inovação.

Durante a pandemia, empresas criaram laboratórios, contrataram equipes, aceleraram programas digitais, investiram em startups e passaram a tratar a inovação como questão de sobrevivência. A transformação digital, que antes avançava lentamente entre reuniões, comitês e apresentações de PowerPoint, precisou acontecer quase da noite para o dia. Por algum tempo, pareceu que a inovação finalmente havia conquistado um lugar permanente dentro das organizações.

Mas a história não terminou assim.

Quando o dinheiro ficou mais caro, o crescimento desacelerou e os conselhos de administração voltaram a exigir eficiência imediata, muitas estruturas criadas no período de euforia começaram a ser reduzidas, incorporadas a outras diretorias ou simplesmente desativadas. Laboratórios perderam orçamento. Programas de inovação aberta diminuíram de tamanho. Corporate ventures recuaram. Equipes inteiras foram atingidas por processos de reestruturação.

A inovação, apresentada durante anos como prioridade estratégica, voltou a ser tratada em muitas organizações como custo periférico.