Carmen Hein Campos, 64, trabalhava como advogada na organização feminista Themis, em Porto Alegre, no fim dos anos 1990, quando ligou para Leila Barsted, fundadora da ONG Cepia, para dividir uma indignação.
Suas clientes, vítimas de violência de parceiros, saíam das audiências vendo os agressores apenas pagarem cestas básicas ou assinarem "termos de bom viver", nos quais prometiam se comportar.
Leila, diz Carmen, acionou outras organizações feministas para lidar com a questão. Uma delas foi a Cladem, que ajudou a levar o caso da farmacêutica Maria da Penha à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em 1998.
Poucos anos antes, Beatriz Galli, 57, diretora do Cejil (Centro pela Justiça e o Direito Internacional) no Brasil, foi ao Ceará treinar organizações civis no uso do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Lá recebeu o livro "Sobrevivi... Posso contar", assinado pela própria Maria da Penha.
"Ela era um ícone da violência contra a mulher, mas ainda no âmbito estadual. Quando comecei a ler, vi que aquele caso merecia ser levado à comissão interamericana pelas atrocidades cometidas contra ela e pela inércia do governo brasileiro em responder às violações", explica Galli.











