O combate à violência contra a mulher enfrenta um novo desafio 20 anos após a sanção da Lei Maria da Penha. Para a farmacêutica de 81 anos que dá nome à lei, o avanço da misoginia nas redes sociais e o fortalecimento de grupos ligados à cultura red pill representam uma das principais ameaças para os próximos anos.

Em entrevista à Folha na semana em que a legislação completa duas décadas, ela faz um balanço dos avanços conquistados, diz que o país transformou a violência doméstica em uma questão de direitos humanos, mas afirma que continua distante de garantir proteção às mulheres de forma igualitária.

Ao comentar o crescimento de comunidades virtuais que difundem discursos de ódio contra mulheres, ela afirma que o problema começa quando esses espaços deixam de discutir experiências masculinas e passam a "legitimar o ódio, a humilhação, o controle, a subordinação feminina ou até a violência contra as mulheres".

A expressão red pill, inspirada no filme Matrix, passou a identificar comunidades virtuais que afirmam revelar uma suposta "verdade" sobre as relações entre homens e mulheres.

Embora o termo seja usado com diferentes significados, parte desses grupos difunde discursos misóginos —de aversão, desprezo ou preconceito contra mulheres—, questiona políticas de igualdade de gênero e, em casos mais extremos, incentiva a violência contra mulheres.