A jurista Leila Linhares Barsted sempre conta uma anedota para representar a popularização da Lei Maria da Penha no Brasil. Certo dia, entrou em um táxi e percebeu que o carro estava velho e mal cuidado. O motorista pediu desculpas. "Ele falou: ‘Eu ia comprar um carro novo, mas minha mulher me deu uma Maria da Penha'".
Como se não entendesse o que ele queria dizer e não fosse uma das principais redatoras do anteprojeto que gerou a lei, Leila perguntou o que tinha acontecido. O motorista, diz, respondeu: "Dei uns tapas nela em público e tinha testemunhas".
Em 2002, a advogada coordenou a reunião de seis ONGs feministas que idealizaram e escreveram o anteprojeto da lei, pressionando para sua aprovação em agosto de 2006. O grupo formou o Consórcio Lei Maria da Penha.
Para ela, os 20 anos da aplicação da lei mostram que a mulher vítima de violência agora tem meios para se defender, mas isso não significa que os homens tenham mudado o comportamento.
Os índices de violência contra mulheres e feminicídio continuam atingindo recordes. Isso se deve em parte à maior notificação, diz Barsted. O restante se deve, segundo ela, a falhas na implementação da lei.












