Os ministérios da Fazenda e do Planejamento têm dado sinais divergentes sobre o caminho para ajustar as contas públicas em um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em conversas com investidores do mercado financeiro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem indicado a possibilidade de reduzir o limite de despesas do arcabouço fiscal de 2,5% para 1,5% ao ano. Já o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, falou ao Estadão que não adianta ter regras mais rígidas e que o governo precisa de mais instrumentos de gestão fiscal para cumprir as metas.

Nos bastidores, a visão de interlocutores do mercado financeiro ouvidos pela reportagem é de que há uma “guerra fria” entre os dois ministros, em busca de protagonismo em um próximo governo petista.

Enquanto Moretti tem, segundo esses interlocutores, um perfil mais técnico e aberto ao diálogo, Durigan é visto mais como um defensor da gestão do ex-ministro Fernando Haddad à frente da Fazenda, com um discurso praticamente pronto em reuniões com integrantes da Faria Lima.

Procurados, os ministros negaram ambiente de disputa e disseram que trabalham em parceria e cooperação desde antes de assumirem os atuais postos (veja abaixo a íntegra das notas das duas pastas).