Em entrevista exclusiva à GloboNews, ele afirmou que o governo federal continuará tentando, se reeleito, melhorar o perfil das contas públicas em um eventual novo mandato, controlando as despesas e reduzindo benefícios fiscais existentes. "Têm números que mostram resultado do ano, olhar o orçamento, fazer os cortes, bloqueios, que a gente tem feito. O que aparece como preocupante é a projeção para a dívida para frente. Sei lidar com o fiscal de forma melhor, fizemos um ajuste de dois pontos do PIB. É com esse compromisso que vamos para os próximos quatro anos, melhorando as contas públicas", declarou o ministro. Durigan negou que haja um cenário de descontrole, citando uma melhora nos últimos anos, com a obtenção das metas propostas – apesar de as contas ainda permanecerem no vermelho. Agora no g1 Mas reconheceu que há uma "discussão", uma dificuldade, sobre a chamada "rolagem da dívida pública", ou seja, a emissão de novos títulos no mercado financeiro para pagar os que estão vencendo. Nos últimos meses, o Tesouro Nacional tem encontrado dificuldade em emitir papéis com juros reais (acima da inflação) de 8% ao ano – patamar considerado elevado. Analistas atribuem a resistência do mercado em comprar esses papeis ao aumento de gastos públicos e ao alto nível do endividamento brasileiro – fatores que aumentam a desconfiança dos agentes econômicos. "Para o futuro, há discussão sobre rolagem da dívida. Não há descontrole e crise fiscal, há desafio para endereçar questão dos juros para diminuir endividamento. Como a explicação dos juros é mais complicada, a variável que está em controle do governo é a politica fiscal. Por isso é importante melhorar a politica fiscal [relativa às contas públicas]", acrescentou Durigan. Ele avaliou que o "aspecto fiscal", ou seja, comportamento das contas públicas, de fato afeta o patamar da taxa de juros brasileira – atualmente em 14% ao ano. Em termos reais, é a maior taxa de juros do mundo, segundo levantamento da MoneYou. Mas o ministro lembrou que conflitos militares e aumento da taxa de juros norte-americana também impactam os juros de longo prazo brasileiros – determinados pelo mercado financeiro. "Há um desafio de entender para onde o mundo vai. Vamos ter guerra, choque do petróleo? Arcabouço fiscal veio para ficar, precisamos reforçar nosso fiscal. Não reputo má vontade [por parte do mercado com o governo], mas um grau de incerteza, e ansiedade no momento de eleição, para tomada de decisão sobre o mercado tomar juros de longo prazo. É isso que está em jogo", afirmou Durigan. O titular da equipe econômica concluiu dizendo que o compromisso do governo é "fazer todo possível do ponto de vista fiscal para endereçar a questão dos juros [altos] nos próximos anos". "Juro machuca muito a economia, não só o governo", finalizou. Dario Durigan — Foto: Washington Costa/MF
Durigan admite preocupação com trajetória da dívida e fala em redução de benefícios e controle de gastos para melhorar contas | G1
Em entrevista à GloboNews, Durigan negou que haja um cenário de descontrole, mas reconheceu que há uma 'discussão' sobre a emissão de novos títulos da dívida.











