Dario Durigan: 'Quero ver o novo posto Ipiranga que a oposição vai apresentar'O ministro da Fazenda afirmou em entrevista ao Estadão/Broadcast que o ministro Fux, do STF, pediu uma saída para a crise do Banco de Brasília (BRB). Gerando resumoBRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem difundido entre integrantes do mercado financeiro, nas últimas semanas, o discurso de que o governo entende que o crescimento das despesas é um desafio que precisa ser enfrentado em breve, apurou o Estadão/Broadcast. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, também tem sinalizado propostas para enfrentar o problema fiscal brasileiro em um eventual quarto mandato de Lula.Os dois ministros da área econômica, em especial Durigan, têm tentado ser um canal de diálogo entre o governo e a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os agentes econômicos.Uma das possibilidades citadas por Durigan nessas conversas com agentes econômicos é a ideia de apertar o arcabouço fiscal Foto: Wilton Junior/ EstadãoPUBLICIDADEA tentativa do ministro da Fazenda de passar a percepção de que o Palácio do Planalto está preocupado com o crescimento das despesas e pretende apresentar soluções a esse problema acontece em um momento de dúvida, em especial entre a elite econômica do País, sobre como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT pretendem enfrentar o tema em um eventual quarto mandato.Uma das possibilidades citadas por Durigan nessas conversas é a ideia de apertar o arcabouço fiscal. Na quarta-feira, 29, o jornal O Globo mostrou que o ministro vinha sinalizando essa discussão a agentes do mercado financeiro. O plano seria reduzir o limite anual de crescimento das despesas de 2,5% (descontada a inflação) para 1,5%.O tema foi tratado pelo ministro da Fazenda como uma possibilidade, não como algo já definido ou concreto, segundo integrantes ouvidos pela reportagem.Leia maisGoverno discute medidas de controle de despesas e aperto do arcabouço está na mesa, diz secretárioVera Rosa: Plano de Lula para quarto mandato põe arcabouço fiscal na berlinda e Planalto enquadra GabrielliDeclarações do ex-presidente da Petrobras e coordenador do programa de governo de Lula, Sergio Gabrielli, causaram preocupação na Faria Lima nas últimas semanas. Tornou-se ainda mais difundida a percepção de que um quarto mandato do petista deixaria o cenário macrofiscal em segundo plano.PublicidadeFoi a partir desse momento que Durigan passou a difundir com mais ênfase esse discurso de atenção às contas públicas. O ministro da Fazenda tenta se colocar como um interlocutor importante do governo junto ao establishment econômico.A sugestão sobre o arcabouço fiscal, no entanto, não é vista como solução. A reportagem apurou que a proposta citada por Durigan - de reduzir o teto de crescimento de despesas previsto no arcabouço - foi recebida como um sinal positivo, mas longe de resolver, de fato, o problema das contas públicas.Em entrevista à Rádio Jornal nesta semana, Durigan já havia defendido publicamente a redução do gasto obrigatório como o “próximo passo” do governo, indicando a possibilidade de endurecer a regra do arcabouço fiscal.Publicidade“Qual é o próximo passo? Diminuir o gasto obrigatório, manter a nossa regra de gasto do arcabouço, ou mesmo endurecê-la um pouco mais para dar esse sinal de credibilidade. E modernizar o Estado. Nós temos que acabar com a declaração de imposto de renda, as notas fiscais têm que ser unificadas na nova reforma tributária, sem trabalho para as pessoas, sem o Estado ser um estorvo. O Estado tem que ser solução, tem que ser útil para as pessoas”, disse na ocasião.Em outra frente, a reportagem apurou que o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, também teve conversas com representantes do mercado financeiro e sugeriu uma ideia de estabelecer “subtetos” para áreas específicas. Novamente, trata-se de uma ideia ainda não submetida ao debate na campanha ou mesmo entre integrantes do governo.O programa de governo da campanha à reeleição de Lula vem sendo mantido em sigilo. A percepção entre políticos e agentes do mercado financeiro é que dificilmente a versão final trará qualquer menção a temas impopulares, como a contenção de gastos, em um eventual quarto mandato. PublicidadeCONTiNUA APÓS PUBLICIDADEPor isso, na visão de interlocutores ouvidos pela reportagem, Durigan tem buscado expor essa narrativa para a Faria Lima, como uma forma de deixar clara a compreensão da equipe econômica sobre o assunto.Durigan e Moretti estão entre os “ministros tampão” que mais ganharam destaque e estima junto ao presidente Lula nos últimos meses. Moretti é um quadro técnico do PT que fez da Secretaria Especial de Análise Governamental da Casa Civil um dos postos mais importantes do Planalto. Essa avaliação é compartilhada por assessores que já trabalharam no Executivo em diferentes governos. Não à toa foi alçado ao Ministério do Planejamento após a saída de Simone Tebet. Seu trabalho é bem avaliado pelo presidente.Durigan, por sua vez, tem ganhado projeção pública no cargo de ministro da Fazenda. Nesta semana, um dos únicos episódios identificados pelo Planalto como um deslize foi quando ele chamou o presidente da Argentina, Javier Milei, de “palhaço” na entrevista à Rádio Jornal. PublicidadeO episódio não provocou reprimendas públicas ao ministro, apesar de o governo ter indicado que o tema não deveria ganhar mais projeção. Para um eventual quarto mandato de Lula, Fernando Haddad já indicou que não pretende retornar ao Ministério da Fazenda - o que deixaria a disputa pelo cargo em aberto.
Como ministros de Lula 3 sinalizam ao mercado propostas de Lula 4 para enfrentar problema fiscal
Durigan e Moretti têm tentado ser canal de diálogo entre Planalto e campanha de Lula e agentes econômicos; declarações de Gabrielli, coordenador do programa de governo do presidente à reeleição, causam preocupação na Faria Lima









