Diz-se que na guerra a primeira vítima é a verdade. Na tensão diplomática com os governos dos Estados Unidos e da Argentina, sai perdendo o interesse do Brasil.

A agenda eleitoral incentiva o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a desafiar a Casa Branca e a Casa Rosada, pois ele tende a ser favorecido na disputa pelo quarto mandato ao explorar o tema da "soberania nacional" diante do assédio de aliados estrangeiros de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).

A estultice e a péssima assessoria de Donald Trump o empurram na direção ansiada pelo mandatário brasileiro. A novidade é que um esbirro do trumpismo na América do Sul, Javier Milei, juntou-se à fanfarronice. Lula, que já tinha o cabo eleitoral mais poderoso do planeta atuando a seu favor, ganhou de bônus um ventríloquo apatetado argentino.

EUA e Argentina ocupam, respectivamente, o segundo e o terceiro lugares nas relações comerciais do Brasil. A soma de transações de compra e venda com esses dois países representa quase 20% da corrente de comércio. O intercâmbio com EUA e Argentina soma cerca de US$ 110 bilhões anuais, uma cadeia de valor e empregos importante demais para ser tratada com leviandade.

O interesse público brasileiro é preservar a relação comercial e diplomática secular e pacífica com as duas nações, para a qual Trump e Milei representam ruído episódico. O primeiro, a pouco mais de dois anos da porta da rua, não pode ser reeleito e não deixará herdeiros nem saudades na sociedade dos EUA, assolada pela inflação e pela insegurança causadas por suas histrionices de ditador de república de bananas.