A defesa da “soberania nacional” será um dos temas do presidente Lula na propaganda eleitoral que começa em 16 de agosto. Há quem veja aí o potencial de atrair para o petita votos de quem não é nem lulista nem bolsonarista, como foi com o mote da “defesa da democracia” em 2022. O secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, integrante do comitê reeleitoral de Lula, é um dos que têm essa visão.

O governo bota esse tipo de cálculo eleitoral na mesa ao calibrar a reação às investidas dos Estados Unidos que tentam influenciar o resultado das urnas. Tem sido assim na resposta ao tarifaço, por exemplo.

O Brasil tem uma Lei de Reciprocidade que permite driblar compromissos na Organização Mundial do Comércio (OMC) e retaliar Washington. Ela foi acionada, há estudos no governo sobre como aplicá-la aos EUA sem causar prejuízos a exportadores brasileiros. Mas não há interesse de usá-la, ao menos não antes da eleição. O eleitor de centro, comenta um colaborador presidencial, não gosta de retaliação, e sim de negociação.

O governo Lula também tem agido com cuidado nas reações iniciais à revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, mais novo capítulo das hostilidades norte-americanas. Se a diplomacia dos EUA esperava contra-ataque, o que levaria a uma escalada na animosidade, caiu do cavalo. Por ora, houve uma nota pública do governo a condenar o gesto, reclamação de Lula em uma entrevista e só.