Lula adotou mais uma vez a defesa da soberania nacional como resposta e culpou pela iniciativa o adversário Flávio Bolsonaro Estados Unidos ampliam ofensiva ao Brasil — Foto: Evaristo Sa e Jim Watson/ AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 22:45 EUA ameaçam Brasil com tarifa de 25%; Lula critica Flávio Bolsonaro A quatro meses das eleições presidenciais no Brasil, os EUA ameaçam impor uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros, reeditando um tarifaço. Lula defende a soberania nacional e culpa Flávio Bolsonaro pela iniciativa, que tenta se desvincular do desgaste. A proposta americana, ainda não definitiva, intensifica o clima eleitoral. A hashtag “Tariflávio” ganha força nas redes, destacando críticas à família Bolsonaro. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A quatro meses das eleições presidenciais no Brasil, os Estados Unidos ampliaram a ofensiva ao país e apresentaram na terça-feira a proposta de impor uma taxa de 25% a produtos brasileiros, em uma reedição do tarifaço do ano passado. A medida ocorre uma semana após classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, tema que, assim como a economia, tem reflexos eleitorais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou mais uma vez a defesa da soberania nacional como resposta e culpou pela iniciativa o adversário Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tentou se desvencilhar do desgaste de ser associado a uma ação que prejudica empresas nacionais. Para isso, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro divulgou uma carta que enviou ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo a reversão da medida comercial. A proposta da taxação de 25% foi consequência da investigação feita pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e ainda precisa de uma decisão definitiva do presidente Donald Trump para entrar em vigor. O governo brasileiro avalia que a possível tarifa atinge 21% das exportações aos EUA. Tom eleitoral Lula demonstrou incômodo com o anúncio, evitou atacar diretamente Trump, ressaltando apenas que aguardava uma reunião ou um telefonema do americano para ter mais detalhes. As críticas foram reservadas a Flávio e a Rubio. O presidente chamou o auxiliar trumpista de “anti-América Latina” e afirmou ter dito a Trump que o secretário de Estado não gosta do Brasil. Pouco depois, o presidente americano publicou em sua conta na rede Truth Social uma foto ao lado de Flávio, tirada no encontro da semana passada. “Foi muito bom receber Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca. Um homem jovem e inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!”, escreveu o chefe de Estado. Rubio, que também se reuniu com o senador brasileiro e foi responsável pelo anúncio anterior sobre as facções, deixou o Brasil fora de uma lista de países que classificou como aliados na América Latina. Em fala na terça-feira no Comitê de Relações Exteriores do Senado, ele citou o país ao lado de Nicarágua, Cuba, Venezuela e Colômbia, cujos governos são distantes dos EUA. Rubio lembrou também que o Brasil está “no meio de um ciclo eleitoral”, sem referências diretas a Flávio.‘ E foi exatamente o tom relacionado à eleição que conduziu as manifestações dos presidenciáveis. Sem citar o nome de Flávio, Lula chamou o adversário de “imbecil” durante evento em Catalão (GO), lembrou da ida do parlamentar à Casa Branca e o responsabilizou pelo novo tarifaço. — Ele (Flávio) foi pedir arrego. “Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, porque ele vai ganhar as eleições. Não deixa, prejudica”. Imbecil. Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula. Vai prejudicar o povo brasileiro, os empresários e o agronegócio. Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores que ele. São vendilhões da pátria. Foram pedir que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores — disse Lula, que também defendeu o Pix, usado como um dos argumentos para a taxação. A tentativa de vincular a proposta americana à família Bolsonaro também foi usada pelo vice Geraldo Alckmin e contemplada na nota oficial do Palácio do Planalto, que afirmou ser “lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares”. O texto afirma ainda que a investigação comercial que resultou na proposta de um novo tarifaço começou por “provocação da família Bolsonaro”. Nas redes, aliados do chefe do Executivo passaram a impulsionar a hashtag “Tariflávio”, com posts e vídeos críticos à oposição. Disputa nas redes O tema mobilizou parlamentares, ministros e apoiadores de Lula e Flávio nas redes sociais. A consultoria AtivaWeb contabilizou 8,6 milhões de menções sobre o tema entre as 8h e 13h de terça-feira, nas primeiras horas pós-anúncio. Desse total, a análise mostrou a predominância de manifestações negativas (67,8%), concentradas principalmente em relação às tarifas (81% de teor negativo) e na associação da família Bolsonaro ao tema (69% de viés negativo). Já a narrativa de defesa da soberania nacional teve mais adesão, com 74,2% de sentimento positivo. As críticas foram exploradas pela ex-ministra das Relações Institucionais e deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), que atribuiu o anúncio ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), classificando-o de “traidor da pátria”. O vice-líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), escreveu que “quem faz política internacional contra o próprio país não pode depois fingir surpresa.” A hashtag “Tariflávio”, levada aos trending topics do X por perfis de esquerda junto das expressões “o pix é nosso” e “Bolsonaros inimigos do Brasil” também foram compartilhadas por governistas como o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. Oposição ataca governo Lula acrescentou que aposta em uma negociação com os EUA, caminho também seguido por Flávio. Diante da repercussão do tema e com o receio de um desgaste para o bolsonarismo semelhante ao do tarifaço do ano passado, momento em que as pesquisas indicaram recuperação na popularidade do chefe do Executivo, o senador saiu para o contra-ataque. Flávio reiterou ao longo do dia que pediu a Trump que novas tarifas não fossem impostas, publicou um vídeo nas redes sociais rebatendo o presidente e enviou uma carta a Rubio dizendo que a “imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro”. Integrantes da pré-campanha avaliaram que seria necessário um posicionamento mais incisivo para evitar a pecha de “traidor da pátria” atribuída por Lula. — Eu fiz um pedido direto para os EUA não taxarem as empresas brasileiras, que já são absurdamente taxadas pelo governo Lula. Os empreendedores já estão sufocados com tanto imposto, burocracia, perseguição. Reforcei que os EUA não precisariam mais usar a política de tarifas para negociar com o Brasil porque a partir de janeiro de 2027 o Brasil terá um presidente da República que vai sentar para negociar de igual para igual e vamos chegar a um acordo que seja bom para as duas nações — disse. Parlamentares próximos ao presidenciável passaram a compartilhar conteúdos com o objetivo de rebater a narrativa de que ele teria qualquer responsabilidade pela proposta apresentada pelo governo americano e reforçar o argumento de que o senador, na verdade, atuou para evitar a adoção de tarifas sobre empresas brasileiras.