Aliados afirmam que senador concentrará apresentação na tentativa de responsabilizar Lula pela crise comercial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O senador Flávio Bolsonaro discursa na CPAC 2026, no Texas — Foto: Leandro Lozada / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 07/07/2026 - 10:57 Flávio Bolsonaro Critica Tarifaço de Trump e Responsabiliza Lula por Crise Comercial O senador Flávio Bolsonaro criticou o tarifaço de Trump antes da audiência do USTR, afirmando que é prejudicial tanto para o Brasil quanto para os EUA. Ele busca responsabilizar Lula pela crise comercial. Flávio defende o adiamento das tarifas e o fortalecimento do Pix, argumentando que a solução deve ser negociada. A audiência é crucial para ajustar o discurso antes da decisão americana em julho. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Minutos antes de participar da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira que o tarifaço proposto pelo governo Donald Trump "é muito ruim para o Brasil e também para os Estados Unidos", em um novo movimento para tentar reduzir o desgaste provocado por sua atuação no caso. Flávio chega para audiência sobre tarifaço nos EUA — Foto: Reprodução Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar anunciou que permanecerá mais um dia nos Estados Unidos para participar de novas reuniões sobre o tema e, por isso, cancelou a agenda que faria nesta quarta-feira em Pernambuco. — Vou ter que ficar mais um dia aqui nos Estados Unidos para defender o Brasil desse tarifaço. É muito importante as reuniões que vamos ter aqui para tentar convencer o governo americano e demonstrar, mais uma vez, de forma técnica e política também, que as tarifas são muito ruins para o Brasil e também para os Estados Unidos — afirmou. A declaração ocorre dias após uma repercussão negativa do documento entregue por Flávio ao USTR, no qual o senador sugeriu que os norte-americanos adiassem a entrada em vigor das tarifas enquanto Brasil e Estados Unidos negociassem um acordo comercial. A proposta foi explorada por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que passaram a acusar integrantes da família Bolsonaro de atuar contra os interesses brasileiros ao manter interlocução direta com autoridades americanas durante a investigação comercial. Na gravação divulgada nesta terça-feira, o senador também afirmou que, a partir do próximo ano, "o Brasil vai ter um presidente da República que vai poder sentar de igual para igual para negociar com os Estados Unidos", em referência às eleições presidenciais deste ano. Segundo ele, esse diálogo ocorreria "sem tarifas sobre a mesa". Apesar de defender o fim da sobretaxa, Flávio voltou a responsabilizar Lula pela crise comercial. Ao encerrar o vídeo, afirmou que está nos Estados Unidos "protegendo o Brasil das tarifas e do Lula". A audiência Flávio pretende usar a audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), nesta terça-feira, em Washington, para recalibrar o discurso adotado pela campanha sobre o tarifaço de 25% proposto pelo governo Donald Trump contra produtos brasileiros e ampliar o embate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a condução da crise comercial entre os dois países. Após a repercussão negativa provocada pelo documento em que sugeriu suspender a entrada em vigor das tarifas enquanto Brasil e Estados Unidos negociassem um acordo, aliados afirmam que o foco da apresentação será reforçar que o parlamentar é contrário à sobretaxa, defender o Pix e cobrar uma solução negociada para o impasse comercial. A estratégia busca responder à ofensiva do Palácio do Planalto, que passou a acusar integrantes da família Bolsonaro de atuar contra os interesses brasileiros ao manter interlocução direta com autoridades americanas durante a investigação comercial. A avaliação de interlocutores do senador é que a discussão acabou sendo deslocada para a proposta de adiamento das tarifas, enquanto a intenção era defender uma suspensão da medida para abrir espaço a uma negociação. Integrantes da campanha afirmam que a manifestação acabou sendo "mal interpretada" e que Flávio aproveitará a audiência para deixar explícito que sua posição é contrária ao tarifaço sobre produtos brasileiros. A mudança de tom ocorre depois de dias de troca de acusações entre governo e oposição. Lula afirmou que integrantes da família Bolsonaro estariam trabalhando contra os interesses nacionais ao dialogar diretamente com representantes do governo americano. Em resposta, Flávio passou a afirmar que o governo estaria explorando politicamente a crise comercial e que sua atuação busca justamente impedir a aplicação das tarifas. Em vídeo divulgado nesta segunda-feira, gravado em Washington, o senador acusou o presidente de usar uma "falsa narrativa" de defesa da soberania e afirmou que Lula seria "o único que quer a tarifa". Na avaliação de aliados, a audiência representa a principal oportunidade para reorganizar o discurso antes da decisão do governo americano. O senador desembarcou em Washington no domingo exclusivamente para participar da sessão e deve retornar ao Brasil na quarta-feira. Na sequência, retomará à agenda de pré-campanha, com compromissos em Pernambuco, na quinta-feira, e no Ceará, na sexta-feira. O governo também decidiu marcar presença na audiência. O Itamaraty informou nesta segunda-feira que enviou uma observadora da Embaixada do Brasil em Washington para acompanhar os dois dias de sessão promovidos pelo USTR. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a audiência não é considerada um canal formal de negociação entre os governos, mas um espaço destinado a ouvir representantes da sociedade civil e do setor produtivo. A posição do governo é que as tratativas oficiais continuam sendo conduzidas pelos canais diplomáticos. A última conversa virtual entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, ocorreu na última quinta-feira. O governo brasileiro trabalha para realizar uma nova rodada de negociações antes de 15 de julho, prazo previsto para a decisão americana sobre a eventual aplicação das tarifas. A audiência promovida pelo USTR começou nesta segunda-feira e é considerada a última etapa pública da investigação comercial aberta contra o Brasil antes da decisão prevista para 15 de julho. Os trabalhos foram divididos em 14 painéis. Sete deles ocorrem nesta segunda-feira e os demais serão realizados na terça, quando Flávio fará sua apresentação. O senador falará em um dos painéis da manhã, previsto para começar às 10h em Washington (11h em Brasília). Ao lado dele estarão representantes da indústria brasileira, empresas americanas, associações empresariais e especialistas em comércio internacional. Cada participante terá cerca de cinco minutos para apresentar um resumo executivo da manifestação escrita enviada previamente ao governo americano. O tempo será rigorosamente controlado pelo USTR. Concluídas as exposições, integrantes do órgão poderão fazer perguntas aos participantes, que terão oportunidade de responder aos questionamentos e esclarecer pontos considerados relevantes para a investigação. A audiência, porém, não terá qualquer deliberação. O objetivo é reunir argumentos técnicos, manifestações do setor produtivo e contribuições dos participantes antes da recomendação que será elaborada pelo USTR e encaminhada ao governo americano. A decisão sobre a aplicação ou não da tarifa adicional de 25% está prevista para 15 de julho. Também não haverá transmissão oficial ao vivo. Como ocorre em outros procedimentos conduzidos pelo USTR, o governo americano deverá divulgar posteriormente a transcrição das apresentações e dos questionamentos feitos durante a audiência. Tarifas, Pix e bilateralismo Segundo aliados, Flávio utilizará seus cinco minutos para concentrar o discurso em três eixos. O primeiro será reforçar que é contrário à aplicação das tarifas sobre produtos brasileiros e defender uma solução negociada entre os dois países. A estratégia busca afastar a interpretação de que o senador teria defendido apenas o adiamento das medidas para depois das eleições brasileiras. O segundo eixo será a defesa do Pix, um dos temas incluídos na investigação comercial americana. O senador repetirá o argumento apresentado no documento de 86 páginas entregue ao USTR de que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos é uma infraestrutura pública administrada pelo Banco Central e não uma empresa que concorra com plataformas americanas. Na avaliação de Flávio, o mecanismo não deveria ser alvo de qualquer medida de retaliação comercial. Outro ponto da apresentação será a defesa de maior abertura comercial entre Brasil e Estados Unidos. No parecer encaminhado ao governo americano, Flávio afirma que o Brasil precisa "se libertar das amarras do Mercosul" para ampliar acordos bilaterais e negociar diretamente com outros parceiros comerciais. Segundo ele, o bloco acabou impondo restrições que reduziram a competitividade brasileira e limitaram a celebração de novos acordos. A expectativa é que esse argumento também seja explorado na apresentação desta terça-feira. Integrantes da campanha afirmam ainda que o senador deverá explorar politicamente a diferença entre a estratégia adotada pelo governo brasileiro e sua participação na audiência. Embora o Itamaraty tenha enviado uma observadora para acompanhar os trabalhos, Flávio pretende sustentar que o governo abriu mão de participar diretamente do debate público promovido pelo USTR, enquanto o Planalto afirma que as negociações oficiais seguem sendo conduzidas pelas vias diplomáticas. A investigação aberta pelos Estados Unidos tem como base a Seção 301 da legislação comercial americana, mecanismo utilizado para avaliar práticas consideradas prejudiciais aos interesses econômicos do país. Entre os temas analisados estão comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — incluindo o Pix —, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais, combate à corrupção e desmatamento ilegal. Além de Flávio, participarão da audiência representantes de diversos setores brasileiros e americanos afetados pela possível sobretaxa. Entre eles está o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, que representará a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Também falarão representantes da indústria calçadista, importadores americanos, entidades do agronegócio e associações empresariais.