Lula e Flávio inventam narrativas falaciosas sobre o tarifaço para enrolar eleitoresA questão central é que nem a ‘química’ de Lula nem o lobby de Flávio parecem capazes de determinar o ímpeto protecionista de Trump, que é global. Gerando resumoBRASÍLIA - O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apostou em discurso político e de ataques ao governo Lula durante a sua apresentação na audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre a investigação de supostas práticas desleais adotadas no comércio pelo Brasil, segundo relatos feitos por representantes do setor empresarial que acompanhavam as tratativas ao Estadão/Broadcast. PUBLICIDADEDe acordo com interlocutores, o senador focou a apresentação em três temas: regulação das redes sociais, a corrupção no Brasil e a defesa do Pix.Sobre as redes sociais, de acordo com interlocutores, Flávio Bolsonaro teria atribuído a culpa de remoção de conteúdos ao Supremo Tribunal Federal (STF), citando ações durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.PublicidadeSenador focou a apresentação em três temas: regulação das redes sociais, corrupção no Brasil e defesa do Pix Foto: Jefferson Rudy/Agência SenadoFlávio também citou o governo Lula ao abordar o tema da corrupção. De acordo com os presentes, o senador mencionou como escândalos os casos do Mensalão, da Lava Jato, da crise do INSS, alegando envolvimento do filho de Lula e o caso Master. Ele também disse, segundo apurou a reportagem, que durante os quatro anos do governo do seu pai, Jair Bolsonaro (PL), não houve problemas de corrupção no País. Quanto ao Pix, diferentemente do tom adotado na carta enviada ao USTR, Flávio Bolsonaro defendeu o sistema de pagamento durante a audiência, atribuindo a criação à administração Bolsonaro. O senador também teria afirmado, segundo os presentes, que o Pix complementa o sistema de pagamento dos EUA.Flávio Bolsonaro pediu às autoridades americanas presentes na audiência a não aplicação de tarifas adicionais sobre os produtos importados brasileiros. Entre os argumentos utilizados, o senador afirmou que as tarifas geram prejuízo para as relações de ambos países e que favoreceriam politicamente o presidente Lula.PublicidadeLeia maisFlávio Bolsonaro diz nos EUA que tarifas beneficiam Lula e fala que momento é o ‘pior possível’335 empresas e entidades se manifestam sobre tarifas de Trump a produtos brasileiros; veja listaTesouro dos EUA mira Pix em audiência sobre tarifas; reunião nesta terça aborda trabalho forçadoO aceno quanto à eleição foi feito de forma indireta por Flávio, segundo interlocutores. O senador teria afirmado que há chance de o Brasil ter um presidente que não seja “antiamericano” e que, neste caso, as conversas bilaterais entre os países podem melhorar. Ainda segundo participantes da reunião, Flávio Bolsonaro foi questionado pelas autoridades americanas sobre a amplitude das tarefas e o prejuízo das tarifas à economia brasileira. Conforme os presentes, ele se afastou da resposta direta e voltou a repetir o discurso político. Os questionamentos feitos a Flávio mantiveram teor técnico e econômico e não político, segundo os interlocutores.A audiência pública ocorre no âmbito da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre supostas práticas desleais do Brasil. Os EUA acusam o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico - como o Pix -, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal. A audiência integra as etapas finais da investigação feita pelo governo americano.PublicidadeO USTR deverá publicar o resultado final da apuração, após as consultas públicas. No relatório preliminar, divulgado em 1º de junho, o USTR sugeriu a aplicação de sobretaxa de 25% sobre os produtos importados brasileiros, com exceção a grande parte dos produtos agropecuários. A consulta pública foi iniciada ontem com a participação de uma série de entidades do setor produtivo brasileiro. Nesta terça-feira, entidades que representam o setor privado brasileiro também participam da consulta pública. A audiência é vista pelos setores como a oportunidade de ampliar a lista de exceções e evitarem a aplicação da nova sobretaxa.
Nos EUA, Flávio Bolsonaro cita corrupção, Pix, Master, STF e acena para eleição; leia bastidores
Audiência pública ocorre no âmbito da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre supostas práticas desleais do Brasil











