Se no início do ano as desavenças entre o governo Donald Trump e o Brasil pareciam superadas, culminando em uma visita do presidente Lula (PT) a Washington, desde então a relação bilateral está em queda livre.

Em uma tentativa de fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro, Trump recebeu o senador do PL no Salão Oval um dia antes de designar facções brasileiras como terroristas, manteve um canal aberto com Eduardo Bolsonaro, que recebeu um green card do governo, e impôs novo tarifaço sobre o país —com o secretário de Estado, Marco Rubio, dizendo explicitamente que as negociações falharam por causa de Lula.

Nas redes sociais, o chefe da diplomacia americana escreveu que "o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé", e que o petista "colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso". Em resposta o Itamaraty chamou a fala de "ataque grosseiro e arrogante".

Analisando essa cronologia, o professor Felipe Loureiro, do Instituto de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo), avalia que a sequência de vitórias de aliados de direita de Washington na América Latina pode ter incentivado Trump a pressionar mais o governo brasileiro a fim de prejudicar o petista nas eleições.