A vitória amplia o número de presidentes apoiadores de Trump na América do Sul, que já conta com o argentino Javier Milei e com o equatoriano Daniel Noboa. Enquanto mandatários de Argentina, Paraguai e Equador costumam demonstrar um alinhamento quase automático a Washington, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, segue um caminho de independência, que por vezes o coloca em rota de colisão com Trump. Quem é Abelardo de la Espriella, presidente eleito em apuração preliminar na Colômbia Veja outros aliados sul-americanos do republicano: Javier Milei, presidente da Argentina Trump recebe Milei na Casa Branca, em 2025 — Foto: Jonathan Ernst/Reuters Milei talvez seja o trumpista de maior destaque entre os mandatários sul-americanos. O presidente da Argentina fez diversas viagens a Mar-a-Lago, a residência particular de Trump, e é uma presença constante em eventos que reúnem a direita consevadora no país. O alívio fiscal ajudou Milei a conquistar uma vitória inesperada nas eleições legislativas daquele ano. Daniel Noboa, presidente do Equador Daniel Noboa durante visita ao Brasil em 18 de agosto de 2025 — Foto: REUTERS/Adriano Machado O presidente equatoriano tem uma relação mais pragmática com Trump do que Milei, mas tentou se aproximar do norte-americano especialmente ao apresentar seus projetos na segurança pública. Na reta final da campanha de reeleição, em 2025, Noboa buscou o apoio de Trump na luta contra o crime e não descartou a volta de bases militares estrangeiras, proibidas por lei no país. Santiago Peña, presidente do Paraguai Santiago Peña — Foto: Jorge Saenz/AP Outro aliado de primeira hora do republicano, Peña comemorou o retorno de Trump à Casa Branca, no fim de 2024, e foi um dos convidados a participar do "Conselho da Paz" — iniciativa de Trump para criar uma organização paralela à ONU para resolução de conflitos entre nações. Na ocasião, Peña elogiou Trump e agradeceu ao mandatário por "trazer esperança novamente". O Conselho se reuniu uma única vez e foi deixado de lado após o início da Guerra do Irã pelos EUA e Israel. Rodrigo Paz, presidente da Bolívia Rodrigo Paz, presidente da Bolívia — Foto: Claudia Moralez/Reuters Outro dos aliados pragmáticos, Paz assumiu em novembro de 2025 e encerrou um ciclo de duas décadas da esquerda no país. A receber os parabéns de Trump pela vitória no ano passado, ele declarou que "teremos uma relação fluida e compromissos de cooperação e trabalho conjunto entre as duas nações". Paz vem sofrendo com uma série de protestos por todo o país devido à persistência da crise econômica no país. Em maio, a Casa Branca reforçou seu apoio: o vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, disse ter conversado com Paz e afirmou que as manifestações seriam "um golpe financiado por uma aliança perigosa entre política e crime organizado na região". José Antonio Kast, presidente do Chile O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, acena após uma reunião privada com o presidente da Argentina, Javier Milei — Foto: REUTERS/Pedro Lazaro Fernandez Kast possui grande afinidade ideológica com Trump, mas ela não se traduz em relação pessoal, como no caso de Milei. O líder de direita foi comparado ao republicano diversas vezes desde sua primeira primeira candidatura à Presidência em 2021. Ele chegou ao Palácio de la Moneda com uma plataforma similar à de Trump, promentendo combater a imigração ilegal — e propondo até a construção de um muro na fronteira com a Bolívia. Outros pontos de convergência incluem a crítica ao progressismo e às políticas identitárias, a defesa de valores conservadores, oposição a governos de esquerda na América Latina e a crítica ao multilateralismo tradicional. Aliança a contragosto na Venezuela Delcy Rodríguez assumiu o poder na Venezuela como presidente interina após uma operação militar dos EUA sequestrar Nicolás Maduro e levá-lo para Nova York, onde ele é mantido preso no aguardo de um julgamento. Desde então, o regime venezuelano tem assinado acordos de exploração de petróleo e feito acenos diplomáticos a Washington, como a libertação de presos políticos. Tudo isso sem que haja uma manifestação de alinhamento explícita.