"Tentativas de impor restrições ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não prosperarão", escreveu o petista 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Trump e Lula em encontro no ano passado: decisão definitiva sobre tarifaço deve sair até o próximo dia 15. Brasil teme influência política na decisão — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/07/2026 - 09:04 Lula critica tarifas de Trump e defende diálogo Brasil-EUA no Washington Post Em artigo no Washington Post, Lula critica tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros, enfatizando a defesa da soberania e propondo diálogo construtivo entre Brasil e EUA. Lula argumenta que as tarifas prejudicam ambos os países e afirma que acusações de Trump são infundadas. Destaca ainda o compromisso do Brasil com o combate a crimes ambientais e a importância de parcerias baseadas em respeito mútuo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou neste domingo um artigo no jornal americano The Washington Post no qual critica a nova imposição de tarifas a produtos brasileiros determinada pelo presidente Donald Trump e pede por "um diálogo aberto e construtivo" entre os dois países. No texto, ele também volta ao tema da defesa da soberania. "O destino do Brasil cabe exclusivamente aos brasileiros determinar — sem interferência estrangeira ou subserviência", escreveu o petista no artigo. O texto é publicado um dia após o Itamaraty anunciar que os vistos de dois altos funcionários do Departamento de Estado dos EUA foram negados após o Washington Post publicar que o objetivo da viagem seria levantar suspeitas contra a integridade do processo eleitoral brasileiro. Lula publica texto com críticas a tarifaço no Washinton Post — Foto: Reprodução No artigo deste domingo, Lula afirma que o anúncio do primeiro tarifaço, feito no ano passado, tinha motivação política explícita, já que, ao anunciar a medida, Trump havia feito referência à situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de estado. Segundo Lula, negociações posteriores derrubaram os argumentos que sustentavam as primeiras tarifas. "No entanto, neste mês, ignorando dezenas de reuniões entre nossas equipes, argumentos técnicos sólidos e documentos que entreguei pessoalmente ao presidente Trump, o governo dos EUA impôs novas tarifas ao Brasil, variando de 12,5% a 37,5%", diz Lula no artigo. O petista destaca que o Brasil e a Turquia estão, agora, em segundo lugar na lista de países mais taxados. Ele lembra que os EUA mantém superávit em relação ao Brasil na balança comercial. O petista argumenta que o tarifaço vai prejudicar empresas e consumidores americanos ao desestruturar cadeias de suprimentos que dependem do Brasil, enquanto o país irá buscar substituir os EUA por novos parceiros. Ele também acrescenta que as acusações de Trump em relação ao país são infundadas. "A liberdade de expressão não é um salvo-conduto para atividades criminosas em plataformas de redes sociais — não desistiremos de proteger nossas famílias e crianças da ganância de um punhado de oligarcas da tecnologia. Nosso sistema de pagamentos, o Pix, não discrimina empresas dos EUA e é uma referência internacional em infraestrutura pública digital", escreve Lula. O petista também afirma que, a partir do início do seu terceiro mandato em 2023, o país passou a combater crimes ambientais "agressivamente". No artigo, Lula reforça ser favorável a "unir forças em torno de iniciativas concretas que envolvam investimentos, comércio e o combate ao crime organizado". Ele também volta a criticar a condução da política externa americana. "Dividir o mundo em esferas de influência e buscar empreendimentos neocoloniais em prol de recursos estratégicos são gestos anacrônicos e retrocessos", escreve. "Tentativas de impor restrições ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não prosperarão. Nunca antes um secretário de Estado dos EUA declarou que o Brasil não é amigo dos Estados Unidos. Ninguém nos derrotará com mentiras", acrescenta o petista em outro trecho. Ao concluir o texto, Lula afirma que o país respeita a soberania de outros países e negocia "com todos aqueles que sabem respeitar a nossa". O tema da soberania é uma das apostas de Lula para as eleições deste ano. No ano passado, quando o primeiro tarifaço de Trump foi anunciado, o discurso soberanista ajudou a melhoras os índices de aprovação do governo.