PUBLICIDADE Welber Barral acredita que discussões para um acordo com Estados Unidos podem ficar para o ano que vem. Já ex-ministro da Fazenda destaca que tarifas de Trump tem motivação político-ideológica contra o presidente Lula 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Trump e Lula se reúnem na Malásia — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/07/2026 - 16:30 Negociações tarifárias Brasil-EUA adiadas para pós-eleições, diz ex-secretário Negociações tarifárias entre Brasil e EUA não serão prioridade antes das eleições, afirma Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior. Ele prevê adiamento para o próximo ano, com foco atual do governo em eleições. As tarifas de Trump são vistas como politicamente motivadas contra Lula. Impacto reduzido nas exportações pela diversificação de mercados. Diplomata Rubens Ricupero sugere esperar por normalização pós-Trump. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO As negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre as tarifas adicionais impostas a cerca de 3 mil produtos brasileiros não serão prioridade e talvez tenham que esperar até ano que vem para maiores avanços. É o que pensa Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e consultor da BMJ. Na sua visão, o governo brasileiro deve seguir com foco nas eleições, enquanto os EUA deve dar preferência a discussões com outros países. — O Brasil não é prioridade para os Estados Unidos. Eles estão com várias negociações pendentes com a Europa, com a China, sem falar dos problemas geopolíticos. Por outro lado, a agenda brasileira vai ser muito voltada para as eleições nesse segundo semestre. Então não vai ter muita mobilização do Congresso. E alguns temas, como no caso de terras raras, o executivo brasileiro tem que negociar com o Congresso — apontou. Segundo ele, o Brasil deve aplicar a Lei da Reciprocidade como forma de retaliação, mas não será um processo rápido, já que é necessário abrir consulta pública e submeter o caso à análise da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que avalia os impactos e define a eventual reação brasileira. — As negociações vão continuar, mas vão ser longas. Não vai ser nada, talvez, para esse ano — projetou. — O Brasil vai ameaçar, os Estados Unidos vão ameaçar. Isso faz parte do próprio processo de negociação. E vão continuar durante algum tempo. Pode ter um aumento na lista de exceções, pode ter uma redução da tarifa. Lembrando que não é só o Brasil, os Estados Unidos estão adotando essas medidas contra vários países. Barral acrescenta ainda que o impacto da nova tarifa deve ser menor do que o observado no ano passado. Ele explica que, na ocasião, a lista de exceções era mais restrita, atingindo produtos importantes para o Brasil, como carne e café, e que a indústria foi pega de surpresa. Desde então, afirma, os setores afetados passaram a diversificar seus mercados de exportação e chegaram mais preparados para enfrentar novas restrições. Tarifas tem motivação política Para o diplomata Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e embaixador do país em Genebra, Washington e Roma, tanto nas declarações do presidente Donald Trump como, explicitamente, nas de Marco Rubio, secretário de Estado, ficou claro que as tarifas foram aplicadas por motivos político-ideológicos contra o presidente Lula. Para ele, o Brasil vai tentar naturalmente compensar as perdas comerciais em outros mercados. — Hoje em dia, felizmente, nossos principais mercados estão na Ásia (cerca de 50%), incluindo China, mas também Japão, Coreia do Sul, Malasia, Indonésia, Índia, que constituem a região mais dinâmica em termos de crescimento econômico e demográfico — diz. Ele afirma que levando em conta os mercados dos 27 países europeus, a Argentina e o Mercosul, o México e restante da América Latina, além do Canadá e dos países africanos, existem boas perspectivas de diversificação. — Quanto ao mercado dos Estados Unidos, penso realisticamente que será preciso esperar a era pós-Trump, não muito distante, para ter alguma esperança de um mínimo de normalização e de volta a negociações e relações comerciais mais estáveis — avalia.