Petista disse esperar que o americano 'não se meta nas eleições do Brasil' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Saul Loeb/AFP e Brenno Carvalho/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 22:27 Relação entre Lula e Trump é marcada por tensões diplomáticas O relacionamento entre Lula e Trump tem sido marcado por altos e baixos. Recentemente, Trump referiu-se ao Brasil como "politicamente complicado", o que gerou uma reação de Lula, que pediu que Trump não interfira nas eleições brasileiras. Durante o G7, não houve reunião formal entre os líderes, mas divergências sobre tarifas e a designação de grupos terroristas tensionaram a relação. Lula defendeu a soberania do Brasil e a urna eletrônica, enquanto Trump confundiu os filhos de Bolsonaro. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em mais um capítulo da relação de altos e baixos entre Brasil e Estados Unidos, o americano Donald Trump disse na terça-feira que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e chamou o Brasil de um “país complicado politicamente”. A crítica gerou imediata reação do petista, que disse esperar que Trump “não se meta nas eleições do Brasil”. Não houve reunião formal entre os dois durante a cúpula do G7, na França, e a declaração ocorreu após o presidente americano ser questionado se tratou com Lula sobre o novo tarifaço e a designação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas. — Sim, eu passei bastante tempo com ele (Lula), na verdade — disse Donald Trump, sem detalhar o conteúdo da conversa. — Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente. Em seguida, Trump pareceu confundir os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio e Eduardo, com os quais têm alinhamento político: — Tem sido desagradável. Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele (Lula) e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele. O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou na terça-feira o ex-deputado Eduardo a 4 anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto. A punição, que o torna inelegível, foi definida após o parlamentar cassado atuar para coagir magistrados durante a análise da trama golpista, que resultou na condenação de seu pai. Atualmente Eduardo vive nos Estados Unidos. Veja o vai e vem na relação entre Lula e Trump em 15 pontos: ‘Coisa desaforada’ Trump também fez um paralelo entre os processos eleitorais dos dois países, afirmando que no Brasil “jogam duro, mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos”. Mais tarde, Lula disse que não pediu uma reunião bilateral com o americano durante a cúpula e acrescentou que Trump fez uma “coisa desaforada” com o Brasil ao sugerir um novo tarifaço enquanto as negociações comerciais ainda estavam em andamento. Para ele, o presidente dos EUA “continua agindo como imperador”. Ao ser questionado em entrevista coletiva sobre as declarações sobre o país, o petista reagiu: — Ele tem direito de ter as preferências eleitorais dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania, só espero isso. Para mim ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema. Agora, não se meta nas eleições do Brasil porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. A única coisa que eu quero é o respeito pelo Brasil. Lula ainda fez uma defesa da urna eletrônica e disse que em seu próximo encontro com o norte-americano levará uma: — A gente não fica como no século passado com voto no papel, uma lista com 500 nomes. Então, se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez eu vou levar a urna eletrônica para mostrar para ele como funciona. O presidente brasileiro afirmou ainda que Trump conhece pouco o Brasil. Segundo Lula, “se ele conhece o Brasil pela relação que tem com a família Bolsonaro ele desconhece o Brasil”. No início do mês os Estados Unidos anunciaram uma série de medidas que contrariaram o governo Lula, logo após Trump receber o presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), na Casa Branca. Além da designação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, o que, para o Palácio do Planalto, fere a soberania nacional, os EUA estudam impor tarifa de 25% a produtos brasileiros. E determinaram taxa de até 12,5% a 60 países, incluindo Brasil, por falha em impor restrições à importação de produtos feitos com “trabalho forçado”. Em setembro do ano passado, Lula e Trump tiveram um encontro rápido nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Na ocasião, o americano disse que houve uma “química excelente” entre eles. Os dois se reuniram em seguida em outubro na Malásia. Em 7 de maio deste ano, Lula visitou Trump na Casa Branca. O encontro, que teve a presença de ministros, durou três horas, incluindo um almoço. Eduardo volta à carga Um dia após ser condenado por unanimidade pelo STF, Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais pedindo a Trump que “reimponha” sanções contra o ministro Alexandre de Moraes. “Não deixem que um ditador como Alexandre de Moraes tome conta do país. Presidente Trump, por favor, retome a Lei Magnitsky. Esses caras são violadores de direitos humanos. E depois de mim, se um dia, na próxima eleição, voltar uma administração de extrema esquerda aqui nos EUA, eles estarão juntos perseguindo não apenas o senhor, mas todas as pessoas ao seu redor na administração”, diz o ex-deputado no final do vídeo de mais de cinco minutos publicado em inglês no X.