Encontro do G7 termina sem avanços nas negociações sobre tarifaço e combate ás facções 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. — Foto: Ricardo Stuckert / PR RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 22:16 Tensões Comerciais e Diplomáticas Reacendem entre Lula e Trump A relação entre Lula e Trump voltou ao estágio pré-encontro na ONU, após a cúpula do G7 na França, que terminou sem avanços nas negociações sobre tarifas e classificação de facções como terroristas. A química inicial entre os líderes, que gerou encontros e flexibilização de medidas, foi abalada por novas tensões, incluindo a taxação de produtos brasileiros e declarações críticas de ambos os lados. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Não houve espaço para que a “química” da relação entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump aflorasse na estância termal de Évian-les-Bains, na França, palco da reunião de cúpula do G7 encerrada na quarta-feira. Os dois presidentes conviveram por dois dias nos bastidores do encontro dos chefes de Estado das maiores economias do mundo, do qual o Brasil participou como convidado, mas não abriram negociações sobre tarifaço ou classificação de facções como organizações terroristas. Oriundos de campos ideológicos opostos, Lula e Trump se mantiveram distantes desde o começo da presidência do americano em janeiro de 2025. Durante o processo eleitoral dos EUA, o brasileiro havia apoiado a democrata Kamala Harris. Em julho do ano passado,Trump decretou o tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros exportados aos EUA e citou como justificativa uma suposta “perseguição” na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por participação na tentativa de golpe de 2023. Lula reagiu de forma dura e parecia que os dois presidentes nunca se sentariam para uma conversa. Mas um encontro de 39 segundos nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em setembro do ano passado, mudou o rumo da relação. Trump revelou minutos depois ao discursar que eles tiveram “uma química excelente”. Essa química resultou em telefonemas, um encontro em outubro na Malásia e a visita de três horas de Lula à Casa Branca em maio. O americano chegou a relaxar o tarifaço, com retirada de produtos, e excluiu o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, das sanções previstas na Lei Magnitsky, utilizada para punir estrangeiros. A visita do brasileiro à Casa Branca parecia ter selado um período de harmonia entre os dois presidentes. Mas 20 dias depois de Lula voltar ao Brasil, os EUA classificaram as facções CV e PCC como organizações terroristas. A sequência de medidas americanas prosseguiu com a proposta de taxação de 25% sobre os produtos brasileiros após uma investigação comercial com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Um dia depois, ainda foi anunciada a conclusão de uma apuração por supostas falhas relacionadas ao “trabalho forçado” a 60 países, incluindo o Brasil, com sugestão de tarifa de 12,5%. Nesse meio tempo, Trump ainda postou nas redes sociais uma foto de seu encontro com o senador e pré-candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro, que havia ocorrido uma semana antes. Depois da ofensiva, Lula anunciou que tinha decidido o G7 e foi criada expectativa de uma reunião com Trump. Não houve reunião formal, mas o americano disse que conversou com o brasileiro. Nas entrevistas de balanço da cúpula, os dois presidentes partiram para o ataque. Trump disse que o Brasil é um "país politicamente difícil" e falou da condenação do deputado cassado Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal, apesar de ter aparentemente confundido os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula, por sua vez, elevou o tom das falas contra o americano. Disse que ele cometeu um “desaforo” contra o país com a sugestão de novo tarifaço e falou para que o americano “não se meta nas eleições do Brasil”. Ao fim da cúpula de Évian-les-Bains, a relação entre os dois chefes de Estado retrocedeu ao período antes do encontro na ONU, em setembro do ano passado.