Sem citar os Estados Unidos, presidente criticou o avanço de medidas protecionistas e disse que o mundo enfrenta um déficit de "implementação e vontade política" 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo. RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 12:10 Lula critica protecionismo e defende cooperação na cúpula do G7 Em discurso na cúpula do G7, o presidente Lula criticou o protecionismo e o unilateralismo, sem citar diretamente os EUA ou Trump. Destacou que tais práticas são "respostas falaciosas" para problemas econômicos globais e defendeu a cooperação internacional. Lula também abordou desigualdades, mudanças climáticas e segurança, reforçando o papel do Brasil como porta-voz dos países em desenvolvimento. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira o avanço do protecionismo e do unilateralismo durante discurso na sessão ampliada da cúpula do G7, na França. Sem citar diretamente os Estados Unidos ou o presidente Donald Trump, Lula afirmou que essas práticas ressurgem como "respostas falaciosas" para problemas complexos da economia global e defendeu o fortalecimento da cooperação internacional. — Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas — afirmou o presidente. A participação do presidente ocorre em meio às tensões comerciais entre Brasília e Washington. No início deste mês, o governo americano divulgou as conclusões de uma investigação comercial que recomendou a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma sobretaxa de 12,5% relacionada a alegações de combate insuficiente ao trabalho forçado. Segundo o presidente, as respostas adotadas pelas principais economias nas últimas décadas falharam em reduzir desigualdades e ampliar oportunidades para a população mais pobre. Lula afirmou que o neoliberalismo contribuiu para aprofundar a concentração de renda e a crise política observada em diferentes democracias. — O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias — disse. Lula também aproveitou o discurso para cutucar o empresário Elon Musk, que se tornou o primeiro trilionário da história. — O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários (...) Precisamos de um sistema financeiro no qual os países não sejam obrigados a escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças. Está claro que o desafio não é administrar a escassez. O déficit que enfrentamos é de implementação e de vontade política. Não faltam boas ideias — disse. Ao longa da fala, o presidente buscou reforçar a posição do Brasil como porta-voz dos países em desenvolvimento. Lula afirmou que a distância entre países ricos e pobres continua aumentando e destacou que os recursos destinados ao combate à pobreza e às mudanças climáticas permanecem abaixo do necessário. Segundo ele, faltam US$ 4 trilhões por ano para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente também defendeu a ampliação do financiamento climático para pelo menos US$ 1,3 trilhão anuais e criticou a redução dos recursos destinados à ajuda internacional. Lula citou ainda a queda de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento registrada no último ano e afirmou que organismos multilaterais como o Programa Mundial de Alimentos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Unicef sofreram cortes significativos em seus orçamentos. O presidente também abordou temas ligados à segurança internacional. Ao tratar do combate ao crime organizado transnacional, defendeu a cooperação entre os países, mas ressaltou a necessidade de respeito à soberania nacional. — Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados — afirmou. Lula mencionou ainda a necessidade de ampliar o acesso dos países em desenvolvimento a tecnologias de ponta, como a inteligência artificial, e defendeu que nações produtoras de minerais estratégicos participem das etapas de maior valor agregado das cadeias produtivas, por meio da industrialização e da transferência de tecnologia. A ida de Lula ao G7 foi confirmada poucos dias após o anúncio das medidas americanas. O presidente decidiu antecipar sua chegada à França para ampliar sua agenda diplomática durante a cúpula e manter aberta a possibilidade de uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que também participa do encontro. Apesar de os dois líderes já estarem na cidade francesa, não há reunião bilateral prevista nas agendas oficiais. Integrantes do governo consideram improvável que um encontro formal seja marcado durante a cúpula, embora não descartem uma conversa informal entre os presidentes nos corredores do evento. Além da participação nos debates do G7, Lula tem aproveitado a viagem para intensificar contatos com outros líderes mundiais. Nesta terça-feira, o presidente se reuniu com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e tem encontros previstos com representantes da União Europeia. Na segunda-feira, Lula também conversou com o presidente da Suíça, Guy Parmelin, e com o presidente francês, Emmanuel Macron. O governo brasileiro avalia que ainda há espaço para negociar a reversão da tarifa adicional de 25% sugerida pelos Estados Unidos. Paralelamente, equipes técnicas dos dois países mantêm conversas sobre possíveis reduções tarifárias em produtos industriais, em uma tentativa de destravar as negociações comerciais.
Lula ataca protecionismo em encontro do G7 com presença de Trump
Sem citar os Estados Unidos, presidente criticou o avanço de medidas protecionistas e disse que o mundo enfrenta um déficit de "implementação e vontade política"









