Movimento segue a lógica de outros serviços digitais que passaram a compor os planos de internet, como streamings de áudio e vídeo Foto: Tiago Queiroz/Estadão - 07/07/2010Na disputa por clientes e novas fontes de receitas, as operadoras de telecomunicações estão testando uma nova fronteira de serviços: pacotes de internet com assistentes de inteligência artificial (IA) e armazenamento de dados na nuvem.PUBLICIDADEEsse movimento segue a mesma lógica de outros serviços digitais que passaram a compor os planos de internet nos últimos anos: streamings de áudio e vídeo, redes sociais e mensageria, por exemplo. Em um primeiro momento, as novidades são oferecidas gratuitamente, como uma isca aos consumidores. Depois, as empresas tendem a cobrar para manter os novos aplicativos dentro dos planos, tornando-se uma fonte incremental de receita.O presidente da Telefônica Brasil (dona da Vivo), Christian Gebara, contou que o grupo vê grande potencial para ampliar o faturamento tornando-se um distribuidor desses serviços digitais, assim como já acontece com Netflix, Globoplay, YouTube Premium, entre outros (categoria chamada no jargão de “over the top”, ou OTT).Serviço do Google é grátis por até 1 anoA companhia lançou uma oferta de 6 a 12 meses grátis de Gemini AI Plus, além de 400 GB de armazenamento de dados na nuvem para clientes elegíveis de determinados planos de internet móvel e banda larga. Antes disso, já havia feito uma oferta com a Perplexity Pro.“Assim como foi com os OTTs de vídeo, a gente enxerga que a Vivo será uma plataforma de distribuição das IAs. Começou com Perplexity, vimos boa adesão, e agora estamos com a Gemini. Queremos ser uma plataforma que distribui todas, sem exclusividade com nenhuma”, explicou Gebara.PublicidadePara cada venda de OTT, a Vivo fica com uma parte da receita. O faturamento da operadora com a comercialização de serviços atingiu R$ 890 milhões no acumulado dos últimos 12 meses até o segundo trimestre, um crescimento de 25,7% na comparação anual. Neste segmento, 4,9 milhões de clientes já pagam para contratar um streaming.Segundo Gebara, a distribuição dos aplicativos facilita a organização das finanças pessoais dos clientes ao reunir diferentes serviços numa só fatura. Em paralelo, ajuda a reforçar a fidelidade dos consumidores aos serviços da operadora como um todo. “Enxergamos isso com um grande potencial”, emendou o executivo.ClaroA Claro também vem ampliando os serviços digitais nos seus planos, com assistentes de IA e armazenamento de dados na nuvem. Desde o passado, a operadora liberou o ChatGPT Plus grátis pelo período de quatro meses, sem custo adicional aos clientes do combo “Claro Multi”, que combina banda larga, plano móvel e TV por assinatura. Na sua iniciativa mais recente, a tele fechou parcerias com a Apple e com o Google para os clientes da operadora guardarem fotos, vídeos, documentos e afins nas plataformas Google One ou iCloud+.A Claro também vê a iniciativa como uma forma de se diferenciar no mercado e atrair mais consumidores, além de abrir novas fontes de receita. Numa pesquisa de mercado, a tele descobriu que a falta de espaço no celular é uma das principais “angústias” dos usuários de celular. “Reforçamos uma proposta de valor relevante, com serviços digitais que fazem a diferença para os consumidores”, declarou Márcio Carvalho, Diretor de Marketing da Claro, no anúncio de lançamento, em abril.Na ocasião, ele lembrou ainda que o preço dos celulares novos está muito alto, uma vez que os custos dos chips de memória dispararam no mercado global. Isso tem feito as pessoas adiarem a troca dos aparelhos. “A parceria viabiliza que pessoas continuem gerados fotos e vídeos para armazenar de maneira mais confortável”, apontou.PublicidadeTIMPor sua vez, a TIM está buscando uma maneira de agregar os novos serviços digitais ao portfólio e, ao mesmo tempo, garantir que esses benefícios sejam convertidos de fato em uma receita adicional para a companhia. A operadora quer repetir um movimento considerado um erro histórico do setor: lá trás, o WhatsApp foi incluído nos planos sem cobrança pelo tráfego de dados. A princípio, isso atraiu consumidores. Já com o passar do tempo, o uso do WhatsApp explodiu, com mensagens, áudio e vídeos sobrecarregando o tráfego nas redes, sem as operadoras conseguirem convencer os usuários a pagar pelo serviço.CONTiNUA APÓS PUBLICIDADE“Hoje, os assistentes de IA e nuvem estão sendo colocados como um benefício por um tempo limitado. Depois, teoricamente, o cliente começará a pagar a conta. Mas se todo mundo der um pacote grátis, vira um custo permanente”, ponderou o presidente da TIM, Alberto Griselli. “Isso aconteceu com o WhatsApp. Ele veio para ficar, mas, infelizmente, não conseguimos monetizar em cima dele. E agora a IA também veio para ficar”, acrescentou o vice-presidente de B2B da TIM, Saverio Demaria.Diante dessas ponderações, a TIM busca alternativas para equalizar despesas e receitas. “Estamos analisando um conjunto de opções que gere valor para nosso cliente via acesso ao assistente de IA, mas que também gere para nós uma avenida de crescimento”, apontou Griselli. Nesse modelo, a tele lançou, em julho, sua plataforma própria de streaming. Chamada TIM Play, ela tem pacotes que reúnem canais ao vivo, filmes e séries e contratação avulsa de streaming de vídeo e música. “É um novo jeito de dar benefício ao cliente e gerar oportunidade de monetização para nós”, explicou o presidente.Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 04/08/2026, às 11:00A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.PublicidadePara saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.