Lição de mestre: a técnica que permite a inteligência artificial ensinar sua próxima versãoTreinar uma IA copiando outra parecia um atalho para a degradação, mas virou o caminho mais rápido do progresso. Crédito: EstadãoGerando resumoAs operadoras de telecomunicações estão entrando em um ciclo marcado por mais promoções, visando atrair e reter os clientes, com potencial para abrirem mão de um pedaço da margem de lucro nos próximos trimestres. Essa percepção se concretizou após a divulgação dos balanços das grandes teles, que derrubou as ações na B3.PUBLICIDADEEm julho, a TIM recuou 10,06%; a Telefônica (dona da Vivo), 4,03%; e a Claro, que pertence ao grupo mexicano América Móvil, com ações listadas por lá, sendo negociadas perto da estabilidade.Se essa tendência se mantiver, representará uma mudança na temperatura do mercado. A consolidação do setor — marcada pela compra da Oi Móvel por Claro, Vivo e TIM, e pela compra da Nextel pela Claro — gerou alguns anos de competição mais moderada, sem guerra de preços. É a tal “racionalidade” no jargão do mercado.PublicidadeA maior disputa neste momento aparece nos planos do tipo “controle”, em que o consumidor paga um preço fixo todo mês e ganha um pacote pronto de internet, ligações e aplicativos. Esse é um negócio estratégico, pois funciona como ponte para estimular o cliente pré-pago (que faz recargas eventuais) a migrar para planos pós-pago (com pagamento mensal, valores mais altos e maior rentabilidade para as teles).Leia tambémBrasil vive ‘epidemia’ de golpes telefônicos; bancos pressionam por aperto em mecanismos de controleTIM Brasil não está à venda e é considerada uma ‘joia’ por novo controlador na Itália, diz CEONos últimos meses, as operadoras lançaram ofertas do tipo “controle” que giram em torno de R$ 30 mensais com pacotes com 30 gigabytes de dados. Até então, essa categoria estava mais próxima de R$ 45 a R$ 50 por mês. Aí vieram o Claro Flex e o Vivo Easy, seguidos pelo TIM Controle Fit, lançado neste mês. Em geral, as teles oferecem opções de assinatura mensal e anual no cartão de crédito, o que aumenta a previsibilidade das receitas e a retenção dos usuários.“O mercado está imaginando que a racionalidade pode ser colocada em dúvida pela maior competitividade”, afirmou o presidente da TIM, Alberto Griselli. “O que está atrás da performance (queda) da ação tem relação com a dúvida de que o setor possa entrar em ambiente de competição acirrada”, analisou. Griselli lembrou que o setor atravessou alguns anos marcados por maior racionalidade, mas agora a situação está mais apertada. “Esse ciclo está em um momento de baixa”, comentou Griselli. “O setor está em um momento mais promocional”.PublicidadeO trimestre também foi marcado pela entrada da TIM no mercado de “planos convergentes”, que reúnem internet móvel, banda larga fixa e serviços digitais, como streaming de vídeo. Até então, a operadora dedicava seus esforços à internet móvel, pois não tinha uma rede de fibra ótica com cobertura nacional, como Vivo e Claro, que já ofereciam esses combos. Recentemente, a TIM comprou a totalidade das ações da I-Systems, empresa de redes com atuação em São Paulo, Rio e outras capitais, que lhe dará mais capacidade de atuar com banda larga, engrossando a competição.O presidente da Telefônica Brasil (dona da Vivo), Christian Gebara, reconheceu a pressão vinda das empresas rivais, citando desde as grandes operadoras até as empresas regionais e operadoras virtuais (MVNO, na sigla em inglês). “O mercado está bem competitivo, tanto na fibra quanto na móvel”, declarou.Empresas de telefonia apostam em promoções para atrair consumidor Foto: Alison/Adobe StockGebara acrescentou que também é necessário ter atenção ao ambiente macroeconômico, com juros altos e endividamento tanto de famílias quanto de empresas — o que representa um risco potencial de dificuldade de vender produtos e serviços e/ou conseguir receber em dia. “Existe o tema do endividamento no País, que olhamos com cautela”. Apesar disso, ele destacou que a companhia foi capaz de ampliar a receita acima da inflação para todas as suas linhas de negócio, com manutenção de custos controlados, o que gerou ganhos de margem.PublicidadeEm termos comerciais, um dos destaques da Vivo no período foi o lançamento de uma oferta de 6 a 12 meses grátis de Gemini AI Plus, além de 400 GB de armazenamento de dados na nuvem para clientes elegíveis de determinados planos de internet móvel e banda larga. Antes disso, já havia feito uma oferta com a Perplexity Pro. Gebara contou que o grupo vê grande potencial para ampliar a receita tornando-se um distribuidor de ferramentas variadas de inteligência artificial (IA), assim como já acontece com streamings de vídeo. “A gente enxerga que a Vivo será uma plataforma de distribuição das IAs. Começamos com Perplexity, vimos boa adesão, e agora estamos com a Gemini. Queremos ser uma plataforma que distribui todas, sem exclusividade com nenhuma”. Para cada venda, a Vivo fica com uma parte da receita.PUBLICIDADECom divulgação de resultados dias atrás, a Claro também afirmou que vê uma competição crescente no Brasil. “Não há dúvida de que o mercado ficou mais promocional. Estamos vendo mais promoções tanto no pré-pago quanto no pós-pago”, afirmou o presidente do grupo, Daniel Hajj, em teleconferência recente. “TIM e Vivo têm ficado mais agressivas. Então, precisamos acompanhar e vamos acompanhar”, emendou. Hajj também citou a desaceleração da economia brasileira como um ponto de atenção. “Isso também é um dos pontos que estamos observando para entender por que as receitas estão diminuindo um pouco. Ainda é cedo para afirmar”. O executivo ponderou que, se as coisas caminharem na outra direção e houver menos promoções, as receitas da tele poderão ser melhores. “No geral, estamos vendo o Brasil de forma positiva.