Entre 2024 e 2025, Oi, Telefônica Vivo, Claro e Algar concluíram a migração da telefonia fixa do regime de concessão para o de autorização, consolidando a transição das teles de um modelo centrado em voz para outro baseado em fibra, conectividade e infraestrutura digital. A mudança histórica para o setor livrou as operadoras de investimentos em telefones fixos, banda larga por fio de cobre e orelhões, e abriu espaço para novos compromissos de investimento. Juntas, as operadoras comprometeram-se a investir R$ 13,2 bilhões. Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), os acessos de telefonia fixa atingiram seu máximo em 2014, quando alcançaram 44,4 milhões; já os acessos em regime de concessão tiveram o ápice em junho de 2007, com 34,3 milhões de linhas. Em março de 2026, havia 19.389.371 acessos de telefonia fixa, dos quais 19.337.263 estavam no regime privado (autorizações) e 52.100 no regime público (concessões), além de 8.480 orelhões, que devem ser mantidos até dezembro de 2028. “O mais importante é que estamos encerrando um tipo de serviço para o qual não existe mais interesse, ou esse interesse é muito baixo. Em banda larga, nos acessos xDSL em fio de cobre, tínhamos pouco mais de 60 mil usuários, que estão migrando para a fibra da Vivo ou de um pequeno provedor”, diz Christian Gebara, CEO da Vivo. A Telefônica Vivo assinou com a Anatel o Termo Único de Autorização — contrato que encerra o regime de concessão de Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) — em abril de 2025, concluindo o processo iniciado com o TCU em 2024. A empresa contabilizava 1,2 milhão de linhas fixas e 29 mil orelhões. Em março de 2026, eram 550 mil linhas fixas e 66 mil clientes xDSL, totalizando 616 mil usuários, enquanto os orelhões reduziram-se para 951. “Estamos no processo de migração, e muitos clientes acabam desligando o serviço”, diz Gebara. A operadora comprometeu-se a realizar investimentos de R$ 4,5 bilhões, que, segundo Gebara, referem-se ao montante estimado do VPL (valor presente líquido) de dez anos de capex (investimento) e 20 anos de opex (despesas). “Teremos aumento de capacidade de rede e cobertura móvel, com a instalação de 1.784 ERBs em diversas localidades do país, sendo mais de 60% delas nas regiões Norte e Nordeste. Isso soma R$ 3,6 bilhões. Em backhaul (rede de transporte de alta capacidade), serão mais 4,3 mil quilômetros, com R$ 400 milhões de investimentos. E temos de continuar prestando o serviço, até 2028, em 373 localidades nas quais somos a única operadora, o que vai consumir mais R$ 500 milhões”, enumera Gebara. A operadora também vai obter R$ 4,5 bilhões com a venda dos fios de cobre (R$ 3 bilhões) e de ativos imobiliários das centrais telefônicas espalhadas pelo país (R$ 1,5 bilhão). As vendas vêm ocorrendo a cada trimestre. “Acreditamos que, até 2028, finalizamos isso. Nossas vendas de cobre chegaram a R$ 83,3 milhões no primeiro trimestre, valor superior aos R$ 22 milhões do primeiro trimestre de 2025. Dos R$ 4,5 bilhões, já obtivemos R$ 425 milhões”, informa o CEO da Vivo. A migração da Claro — que ao comprar a Embratel assumiu a concessão de telefonia fixa na modalidade longa distância — ocorreu em outubro de 2025 por meio de um acordo com a Anatel, encerrando disputas históricas e exigindo investimentos de R$ 2,41 bilhões. A Claro terá de manter o serviço de telefonia fixa em 1.713 localidades até 31 de dezembro de 2028. Os investimentos incluem a implantação ou ampliação do serviço móvel 4G ou superior em 126 localidades até 2028; a implantação de rede 4G ou superior em 205 segmentos de rodovias federais até 2035; e a implantação de backhaul em 44 localidades até 2034, além de seis rotas de redundância até 2035. A migração da Algar foi concluída em dezembro de 2025 por meio de um acordo entre a operadora, o MCom, a Anatel e o TCU. A Algar deve manter o serviço de telefonia fixa em 24 localidades até 31 de dezembro de 2028 e investir R$ 240 milhões. Os investimentos incluem a oferta de conectividade em 895 escolas públicas da educação básica até 2026; a implantação ou ampliação do serviço móvel 4G em 100 localidades até 2035; e a implantação de backhaul em seis localidades até 2035. No caso da Oi, a situação é mais complexa. A migração ocorreu por meio de um acordo entre Oi, V.tal, MCom, Anatel e TCU que resolveu disputas sobre os bens reversíveis. A operadora deveria manter o serviço de telefonia fixa em 10.650 localidades, ofertar serviço com código de acesso tridígito (serviços de utilidade pública e emergência) e oferecer interconexão até dezembro de 2028. Os compromissos de investimentos previam R$ 6 bilhões, incluindo a oferta de conectividade em 4 mil escolas públicas da educação básica até 2027; a implantação de cabo submarino interligando as Regiões Norte e Nordeste, e na costa do Rio Grande do Sul, ambos até 2029; e a implantação de pelo menos cinco centros de dados até 2034. No entanto, em recuperação judicial, a operadora não cumpriu as obrigações e pôs à venda a operação de telefonia fixa. A licitação ocorreu em 8 de abril de 2026 e foi vencida pela Método Telecomunicações, com proposta de R$ 60,1 milhões. A Anatel entrou com uma ação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para suspender a venda, por entender que a operação contraria a Lei Geral de Telecomunicações (LGT) e o acordo que viabilizou a adaptação dos contratos. A agência teve o pedido negado, mas a desembargadora Mônica Maria Costa determinou que o vencedor terá de cumprir integralmente os compromissos do acordo de migração e obter anuência prévia da Anatel para consumar a operação.
Fim das concessões para operadoras de telefonia destrava investimentos bilionários em infraestrutura
Empresas abandonam o modelo antigo centrado em voz e orelhões para injetar R$ 13,2 bilhões na expansão de redes móveis e fibra óptica pelo país








