A modernização da infraestrutura digital - abrangendo a evolução da cobertura 5G, instalação de data centers, criação de redes privativas, expansão da malha de fibra óptica e adoção da inteligência artificial (IA) - impulsiona os negócios no mercado brasileiro de telecomunicações em 2026. Os fornecedores de software e equipamentos para o setor identificam demanda aquecida por soluções de redes mais robustas, resilientes e de alta capacidade para suportar o crescimento exponencial do tráfego de dados. Os investimentos no setor de telecomunicações, com destaque para expansão da cobertura da rede 5G e de fibra óptica na banda larga fixa, totalizaram R$ 36,3 bilhões em 2025, segundo levantamento da Conexis Brasil Digital, que representa as maiores operadoras de telefonia do país. O valor representa um crescimento nominal de 5,2% em relação ao montante aplicado no exercício anterior, mas considerando a inflação a elevação foi de 0,2%. No segmento de telefonia móvel, as operadoras seguem em 2026 com o processo de ativação do sinal 5G nos pequenos municípios, assim como a promoção do chamado adensamento da rede nos grandes centros urbanos, com o objetivo de melhorar a experiência do usuário. Para adensar a rede, a Huawei tem um produto que permite uma cobertura cerca de 30% maior que as soluções tradicionais da indústria e que proporciona maior retorno de investimento, segundo Carlos Roseiro, diretor de marketing e de tecnologia da informação e comunicação da companhia. No que diz respeito à rede fixa, a expectativa é de aumento da penetração da banda larga baseada em fibra óptica, com os provedores de internet (ISP, na sigla em inglês) oferecendo cobertura wi-fi nas residências e soluções sofisticadas (como wi-fi na modalidade de serviço) para as empresas. “A IA e a computação em nuvem devem acelerar uma nova onda de inovação no setor de telecomunicações, criando oportunidades tanto para os consumidores quanto para indústrias”, acrescenta o executivo da Huawei. A Nokia tem se preparado para suprir o que chama de superciclo de IA na malha de conectividade. Isso significa promover evoluções tecnológicas em seu portfólio de ofertas – para redes de acesso móvel e IP, transporte óptico, data center e software de orquestração (que automatiza, integra e coordena múltiplos sistemas, serviços e fluxos de trabalho de forma centralizada) para que sejam nativas em IA. Como parte dessa abordagem, a companhia desenvolveu novas interfaces ópticas de redes de alta capacidade, que atingem velocidade de transmissão de dados de 800 gigabits por segundo (Gbps). “Para a orquestração autônoma de redes, desenvolvemos sistemas de gestão e automação com uso nativo de IA que permitem às operadoras e empresas reduzir o toque operacional, antecipar falhas, otimizar desempenho em tempo real e habilitar novos serviços de forma ágil”, afirma Hugo Baeta, diretor-geral da companhia. A Nokia expandiu a parceria com a TIM, que prevê o fornecimento de rádio e de soluções de automação de rede baseada em IA para a modernização da malha de 5G da operadora em 14 Estados adicionais, cobrindo aproximadamente 42% da população brasileira. Além disso, é uma das empresas que participam do projeto de expansão de 50% da rede de fibra óptica e da infraestrutura de borda (edge data center) da Eletronet até o final de 2026. O contrato, cujo valor total é de R$ 157 milhões, amplia para 26 mil km a extensão da malha em diversos Estados e para 255 o número de sites para atender provedores locais e operadoras de telefonia. Há grande expectativa do mercado também em relação à interconexão de data centers – área em que o Brasil está se consolidando como um polo regional de sites na América Latina, com projetos de grande escala sendo anunciados ou em início de operação. O movimento contribui para estimular a demanda por fibra óptica, segmento de atuação da Lightera, detentora de uma participação superior a 60% do mercado nacional de cabeamento estruturado, segundo Hélio Durigan, vice-presidente sênior da empresa para a região da América Latina, Europa, Oriente Médio e África. Sem revelar valores, o executivo diz que recursos estão sendo alocados para modernização fabril, ampliação da capacidade produtiva e desenvolvimento de soluções de alta densidade para esse segmento de mercado. “Importantes investimentos estão sendo feitos para que a empresa possa atender à crescente demanda com menor prazo de entrega, que é uma característica essencial na operação de data centers”. O segmento corporativo é outro foco de atenção da indústria. Grandes empresas de diferentes ramos de atividades estão investindo na construção de redes privativas para ter mais segurança, confiabilidade e baixa latência no processamento de missão crítica. O projeto muitas vezes é motivado pela inexistência de conectividade nas áreas remotas onde operam, como no caso das mineradoras e de empresas agrícolas. Já na faixa das pequenas e médias empresas a busca é por um serviço que inclui banda larga fixa de alta velocidade e serviço wi-fi com gestão especializada (incluindo segurança cibernética ou câmera de segurança e armazenamento de dados).
Investimentos bilionários em infraestrutura digital modernizam o setor de telecomunicações
Avanço do 5G nos pequenos municípios e a interconexão de grandes data centers aquecem a demanda por soluções robustas e geram novas oportunidades de negócios










